Ernesto Araújo afirma que não há prazo para a chegada de insumos e vacinas da China e da Índia em reunião com parlamentares

Eliane Oliveira
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Brazilian Foreign Minister Ernesto Araujo attends the launch of the Alliance for Volunteering aid program at Planalto Palace in Brasilia, on November 9, 2020, amid the new coronavirus pandemic. - Bolsonaro, even after 48 hours of confirmation of Joe Biden's victory in the US election, remains without making any comment on the issue. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, durante evento no Palácio do Planalto (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

BRASÍLIA — O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, negou, nesta quarta-feira, que a demora na liberação de insumos da China para a fabricação de vacina CoronaVac seja causada por questões políticas. Araújo afirmou que as dificuldades se devem ao excesso de demanda em relação à oferta no mundo e que, por essa razão, o governo não trabalha com prazos definidos para a chegada ao Brasiltanto da matéria-prima chinesa como de dois milhões de doses de vacinas produzidas na Índia.

— Infelizmente não temos prazos — disse o chanceler a um grupo de parlamentares que integram a comissão externa da Câmara encarregada de discutir medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19, de acordo com participantes da reunião virtual.

Segundo relatou ao GLOBO o deputado Aliel Machado (PSB-PR), Araújo disse que não tem data para a chegada dos insumos para que o Instituto Butantan produza o imunizante, assim como para o desembarque das vacinas da Universidade de Oxford com o laboratório AstraZeneca, encomendadas pela Fiocruz a um laboratório indiano. Indagado sobre como o Brasil está na fila de países demandantes, o chanceler disse que "estamos bem colocados".

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— Triste ouvir isso. Infelizmente o Brasil confirmou aquilo que nós temíamos. Estamos apenas bem colocados — afirmou o parlamentar.

Também participaram da reunião o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco; o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas; e o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger. De acordo com Machado, o Ministério da Saúde se comprometeu a fazer propaganda da vacina, contra o negacionismo.

Durante a reunião, realizada no Itamaraty, Araújo garantiu que não há intenção da China de retaliar o Brasil, devido a divergências entre os governos brasileiro e chinês. Desde o ano passado, o embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, tem reagido a ataques contra seu país, proferido pelo filho do presidente da República, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Por duas vezes, Araújo respondeu as declarações do diplomata de forma ríspida, o que causou mal estar nas relações diplomáticas.

— Nós não identificamos nenhum problema de natureza política em relação ao fornecimento desses insumos provenientes da China. Nem nós do Itamarat, aqui de Brasília, nem a nossa embaixada em Pequim — disse o chanceler, conforme anotação dos parlamentares.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a explicação dada por Araújo, de que não há problema político, foi satisfatória. Porém, a forma como o governo está lidando com a questão deixa a desejar.

— Não há uma atuação firme do governo brasileiro. Por que não foi enviada uma missão para a China? Estão dando um tratamento normal a uma situação de anormalidade — afirmou a parlamentar.

Segundo ela, um dos argumentos usados por Araújo é que o percentual de pessoas vacinadas em países que já iniciaram a vacinação é muito pequeno. Jandira Feghali respondeu que em outros países o número de mortes é proporcionalmente baixo em relação ao Brasil, que já registra mais de 200 mil óbitos por causa da doença.