Ernesto Araújo busca Lira para prestar contas e tentar se manter no cargo

GUSTAVO URIBE E RICARDO DELLA COLETTA
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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 26.10.2020 - Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 26.10.2020 - Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Numa tentativa de se manter no cargo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi na manhã desta quinta-feira (25) à residência oficial do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para prestar explicações sobre a ação do Itamaraty no combate à pandemia.

O gesto ocorre um dia depois de Lira ter cobrado uma mudança de rumo na atuação do Itamaraty e de o chanceler ter sido fortemente questionado por um grupo de senadores. De acordo com relatos, Ernesto está ciente da alta temperatura de sua fritura e pediu uma reunião para tentar se justificar.

No encontro, o ministro prestou contas do que foi feito até o momento pelo Itamaraty no combate à Covid-19, enquanto Lira, segundo aliados do deputado, reforçou cobrança feita na reunião desta quarta (24): é preciso uma melhora na diplomacia, com mais diálogo com países como Estados Unidos e China.

A ideia do chanceler é também promover um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para detalhar os esforços da pasta na importação de insumos e vacinas contra o coronavírus.

Lira e Pacheco já vinham manifestando descontentamento com o chanceler brasileiro, aumentando a pressão pela sua demissão. Também nesta quarta, em sessão na Câmara, o presidente da Casa voltou a criticar publicamente e abertamente o chanceler. Depois, no Senado, a cobrança partiu inicialmente do próprio Pacheco, que afirmou que o fornecimento de vacinas está "aquém do esperado".

Em seguida, diversos senadores questionaram a capacidade do chanceler e pediram sua demissão. "Pede para sair e durma com a consciência tranquila de que o senhor vai ajudar a salvar vidas", afirmou a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). Companheiro de bancada da senadora, o tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que o Brasil se tornou um pária internacional e que a má gestão no Ministério das Relações Exteriores está provocando resultados fatais para o Brasil.

"O senhor não tem mais condições de ficar no Ministério das Relações Exteriores. E não é para criar uma crise [a sua saída], é para solucionar", afirmou o tucano. O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou que pediria demissão se estivesse no lugar do ministro. Também pediram a saída do ministro a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e parlamentares da oposição.

A presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), questionou a capacidade de fazer interlocuções do ministro, após diversos ataques aos chineses. Lembrou, por exemplo, as manifestações contrárias à participação chinesa no leilão da tecnologia 5G.