Ernesto Araújo critica fala 'fria, tecnocrática e sem paixão' de Bolsonaro na ONU

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  18-05-2021, CPI da Covid. O ex-ministro das Relações Exteriores Ernersto Araújo (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 18-05-2021, CPI da Covid. O ex-ministro das Relações Exteriores Ernersto Araújo (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na contramão da maioria dos analistas de política externa, que consideraram vexaminoso o discurso do presidente Jair Bolsonaro durante a 76ª Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira (21), o ex-chanceler Ernesto Araújo achou o pronunciamento frio, tecnocrático e sem paixão.

Pior, foi uma fala que contrastou com as anteriores proferidas por Bolsonaro na ONU, em que ele, segundo Ernesto, mostrou liderança. Não por acaso, tiveram sua colaboração enquanto titular do Itamaraty.

"Minha primeira impressão é de um discurso um pouco tecnocrático. Acho que o presidente reafirmou alguns princípios básicos do governo na nossa atuação internacional desde o começo, os valores que nos moviam. Mas é um discurso um pouco frio, sem paixão", disse Ernesto, que participou de um debate promovido pelo site bolsonarista Terça Livre logo após o discurso.

O ex-chanceler foi substituído por Bolsonaro em março pelo diplomata Carlos França, de perfil mais técnico. Desde então, Ernesto aproximou-se da base conservadora do presidente e reforçou a ligação com as ideias do filósofo Olavo de Carvalho. Especula-se que ele se candidate a algum cargo na eleição do ano que vem, defendendo princípios conservadores e o combate ao chamado "globalismo".

Ao comentar o discurso do ex-chefe, Ernesto viu um certo "amaciamento" ao tratar de certas questões, em comparação à fala proferida em 2019, primeiro ano de governo. "Imagino que esse discurso de hoje sofrerá menos críticas do que aquele por parte da mídia, por parte do mainstream", afirmou.

Para Ernesto, um aspecto positivo foi Bolsonaro tentar desfazer conceitos que, segundo ele, seriam equivocados do público da ONU sobre o Brasil. "O presidente reiterou coisas fundamentais quando falou que acredita em Deus, na Constituição, na família e que é leal ao povo. Importante que tenha essa oportunidade de desfazer imagens incorretas em relação a ambiente ou à performance da economia."

Levar em conta a plateia é algo inevitável ao construir um discurso, segundo o ex-chanceler, mas isso não pode ocorrer de uma forma que desvirtue a mensagem.

"Qualquer discurso tem de levar em conta o público ao qual é dirigido. Mas se o discurso começa a se adaptar demais ao público, sobretudo quando é um público hostil, você acaba perdendo a sua personalidade, aquilo em que você acredita", disse.

Novamente, fez uma comparação desfavorável com falas anteriores de Bolsonaro na ONU.

"A gente sabe que o presidente acredita em uma série de coisas que defendeu em 2019 e 2020. Não quero ser hipercrítico, mas tenho a impressão de que hoje foi meio assim 'olha, tem que falar de família, de Deus, de liberdade de expressão', um pouco com se fosse ticando 'já falei, já falei, já falei'. Isso não entrou no espírito dos dois discursos anteriores", declarou. Por isso, afirmou Ernesto, faltou liderança a Bolsonaro. "Falar coisas que as pessoas não querem ouvir. Isso que é liderança".

O ex-chanceler completou dizendo que o discurso desta terça mostra um Bolsonaro diferente daquele que havia no primeiro ano de mandato. "Vejo um contraste com o ideal de uma presença diferente do Brasil no mundo que o presidente trouxe em 2018. Vejo um enfraquecimento do ideal, infelizmente", afirmou.

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