Ernesto Araújo repudia invasão ao Congresso dos EUA, mas defende questionamento do resultado das eleições

Daniel Gullino
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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, repudiou nesta quinta-feira a invasão do Capitólio, sede do Legislativo dos Estados Unidos, realizada na quarta-feira por apoiadores do presidente Donald Trump que não aceitam sua derrota nas eleições. Ao mesmo tempo, Araújo disse que questionamentos de processos eleitorais são legítimos e que não se pode chamar de "fascistas" os "cidadãos de bem" que se manifestam contra o "sistema político".

"Nada justifica uma invasão como a ocorrida ontem. Mas ao mesmo tempo nada justifica, numa democracia, o desrespeito ao povo por parte das instituições ou daqueles que as controlam", escreveu o ministro em uma série de mensagens publicadas em sua conta no Twitter.

Primeiro, Araújo afirmou que é preciso "lamentar e condenar a invasão da sede do Congresso". Ele defendeu a invesigação sobre eventual "participação de elementos infiltrados na invasão" e sobre a morte de quatro pessoas.

Em seguida, no entanto, o ministro afirma que é preciso reconher que "grande parte do povo americano se sente agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral", acrescentando que "duvidar da idoneidade" não é a mesma coisa que rejeitar a democracia. Os apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio não aceitam a derrota do atual presidente para Joe Biden nas últimas eleições.

Além disso, afirmou que "há que parar de chamar 'fascistas' a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições". Para Araújo, "deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse".

O ministro reclamou do fato de que, segundo ele, críticas a autoridades do Executivo são consideradas normais, enquanto críticas a integrantes do Legislativo ou Judiciário são vistas "como atentado contra a democracia".

O ministro encerra seu texto defendendo que "os fatos de ontem em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular". A manifestação ocorre após autoridades brasileiras alertarem para os riscos da mesma situação se repetir aqui.