Ernesto Araújo reafirma críticas à Katia Abreu: "Nunca vou me arrepender de dizer a verdade"

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Former Brazil's Foreign Minister Ernesto Araujo attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 18, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Ernesto Araújo, ex-ministro de Relações Exteriores, depõe à CPI da Covid nesta terça-feira (18) (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Ernesto Araújo afirmou que não pediria desculpas para Katia Abreu por insinuar que a senadora tinha envolvimento com lobby chinês para o 5G

  • Segundo Araújo, ele não se desculparia porque estava falando a verdade

  • Ex-ministro das Relações Exteriores depõe à CPI da Covid nesta terça-feira (18)

O ex-ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que não pediria desculpas à senadora Katia Abreu (PP-TO) após insinuar que a parlamentar tinha envolvimento com um "lobby chinês" para levar o 5G ao Brasil. O caso aconteceu em março de 2021, mas foi relembrado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) durante a CPI da Covid

Ao vivo: Acompanhe o depoimento de Ernesto Araújo na CPI da Covid

"Ministro, o senhor foi muito maldoso e leviano, posso assim considerar, com a nossa colega Katia Abreu, ao insinuar que ela teria algum interesse menos republicano ao sucitar a questão do 5G e da China. Embora ela e todo o Senado já tenham lhe respondido à altura de seu desaforo, lhe pergunto se o senhor não desejaria aproveitar seu depoimentos para pedir desculpas à senadora e se retratar talvez pelas palavras que você a acusou injustamente e levianamente?", questionou Angelo Coronel (PSD-BA). 

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"Senador, bem, na referência que eu fiz a determinado comportamento da senadora Katia Abreu, eu simplesmente disse a verdade, simplesmente relatei um fato e jamais vou me arrepender de falar a verdade", respondeu Ernesto Araújo. 

A senadora Katia Abreu esteve na CPI da Covid nesta terça-feira (18) e foi uma das parlamentares mais duras com Araújo. "Eu imagino que o senhor tem uma memória seletiva, para não dizer leviana. O senhor não se lembra de nada do que importa ou do que ocorreu."

“Senhor não se lembra de nada do que importa ou do que ocorreu efetivamente. A impressão que se tem é que existe um Ernesto que fala conosco e outro Ernesto na internet, nos artigos, no blog. Qual personalidade devemos considerar? Este aqui mostra um mundo cor de rosa”, disse Kátia Abreu.

Sobre as agressões de Ernesto à China, a parlamentar citou dificuldades do agronegócio brasileiro devido a declarações anti-chinesas do ex-chanceler e de membros do governo de Jair Bolsonaro, como o próprio presidente e o seu filho deputado Eduardo Bolsonaro.

“Temos frigoríficos esperando habilitação. Sabe o que falta? Diplomacia, empatia. Estamos tendo prejuízos, sim. O que tivemos de aumento para a China foi em função do aumento do consumo chinês”.

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.

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