Ernesto chama FHC e Ricupero de paladinos da hipocrisia em reação a artigo

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 12-10-2019: Segundo dia da Conferência conservadora Cpac. Na foto, o Ministro Ernesto Araújo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma série de mensagens publicadas em uma rede social, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chamou de "paladinos da hipocrisia" o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-chanceler Celso Amorim e o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Ricupero.

As declarações também tinham como alvo outros diplomatas, a quem Ernesto chamou de "figuras menores". O chanceler reage a artigo publicado na Folha de S.Paulo e em outros jornais nesta sexta-feira (8) no qual FHC, Amorim e Ricupero, além de Aloysio Nunes Ferreira, Celso Lafer, Francisco Rezek, José Serra e Hussein Kalout, condenam a política externa brasileira do governo de Jair Bolsonaro.

De acordo com os autores do texto, a diplomacia atual contraria os princípios da Constituição que orientam as relações internacionais do país. Em resposta, Ernesto disse que eles "precisam vir aprender conosco como se defende a Constituição".

"Se querem implementar de novo seus falidos projetos de política exterior para servir a um sistema de corrupção e atraso, muito bem", escreveu o ministro. "Apresentem esse projeto ao povo e disputem uma eleição. Não fiquem usando a Constituição como guardanapo para enxugar da boca a sua sede de poder."

No artigo, FHC, Amorim, Ricupero e os outros autores afirmam que não é possível "conciliar independência nacional com a subordinação a um governo estrangeiro cujo confessado programa político é a promoção do seu interesse acima de qualquer outra consideração", em referência ao alinhamento do Brasil aos Estados Unidos de Donald Trump.

Condenam ainda, entre outros aspectos da atual gestão do Itamaraty, o "voto na ONU pela aplicação de embargo unilateral" contra Cuba, que rompeu uma tradição de 27 anos da diplomacia brasileira, o "apoio a medidas coercitivas em países vizinhos" e "o desapreço por questões como a discriminação por motivo de raça e de gênero".

"Na América Latina, de indutores do processo de integração, passamos a apoiar aventuras intervencionistas, cedendo terreno a potências extrarregionais."

Na série de postagens, Ernesto se defendeu de parte dos apontamentos feitos pelos autores do texto.

Escreveu que, ao atuar "para desmantelar a rede de corrupção, ditadura, narcotráfico e terrorismo que é o Foro de São Paulo, fizemos mais pela integração latino-americana do que volumes e volumes de discurseira integracionista", citando a aliança formada por diversos partidos de esquerda da América Latina que hoje é um órgão de pouca representação política.

Afirmou também repudiar o racismo, "onde quer que ele se esconda". "Por exemplo entre os que afirmam que certos povos 'não são capazes de viver em democracia' e precisam de um 'governo forte'. Todos os países, raças e culturas precisam de liberdade."

FHC, além de ex-presidente da República (1994-2002), foi também ministro das Relações Exteriores, assim como Nunes, Lafer, Rezek e Serra. Já Kalout foi secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência.