Erro no processamento de dados do Rais e eSocial deixa trabalhadores sem acesso ao abono salarial

Letycia Cardoso
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Devido a um erro no processamento do dados do RAIS e do eSocial, diversos trabalhadores deixaram de receber o abono salarial referente a 2019— benefício disponibilizado automaticamente, todos os anos, a empregados de empresas públicas e privadas que receberam, em média, até dois salários mínimos de remuneração nos últimos 12 meses. Esse foi o caso da operadora de caixa Elisângela Souza, 48 anos, que contava com o dinheiro para pagar despesas referentes a uma cirurgia de catarata:

— Só recebi R$ 704, assim como outros meus colegas de trabalho, que também receberam menos do que tinham direito.

Sem entender o motivo pelo qual o crédito não havia sido feito, ela entrou em contato com o dono da padaria onde trabalha para questioná-lo acerca de irregularidades.

— Os funcionários não entendem que o problema foi do governo e não na gestão da empresa. Muitos vieram me cobrar e é complicado, porque eu sei que tem gente que precisa mesmo desse valor. Alguns iriam receber o valor de um salário mínimo, mas receberam menos de R$ 700 — conta o empreendedor de 31 anos, que não quis se identificar.

De acordo com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, a falha aconteceu no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), atingindo cerca de 90 mil brasileiros, que representam 0,4% das 25 milhões de pessoas que já tiveram seus dados processados normalmente para o pagamento do abono.

Não é necessário que empregadores reenviem as informações para o sistema da RAIS ou eSocial. O pagamento desses trabalhadores afetados será realizado, de modo excepcional, no início do calendário de 2020/2021, o qual ainda será publicado pelo Ministério da Economia. A Secretaria ainda informou que solicitou à empresa pública urgência na solução e está acompanhando o novo processamento.

Como parte das medidas emergenciais adotadas pelo governo, foi antecipado para 11 de fevereiro o saque de até R$ 1.100 do abono salarial do PIS/Pasep para empregados de empresas privadas nascidos em maio e junho e para funcionários públicos com inscrição de final 8 e 9 no Pasep. O calendário antigo previa que esses trabalhadores receberiam apenas em 17 de março.

Para ter direito ao benefício, é necessário ter trabalhado pelo menos 30 dias com carteira assinada nos últimos 12 meses, recebendo até dois salários mínimos durante o ano-base, e estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.

A Caixa é responsável pela operacionalização dos pagamentos do PIS, para pessoas que trabalham em empresas privadas, enquanto o Banco do Brasil faz os créditos referentes ao Pasep, para quem trabalha no setor público.

O valor varia de acordo com o período trabalhado, com base no salário mínimo. Alguém que trabalhou apenas um mês formalmente deve receber R$ 92, já quem trabalhou o ano inteiro, tem direito ao valor máximo de R$ 1.100.

O empregador deve informar corretamente dos dados do funcionário na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)/eSocial. Havendo algum problema, o ajuste pode ser feito em até cinco anos para que o benefício seja pago.