Escândalo da FTX: advogados rastreiam bilhões em dinheiro vivo e bitcoins

Dois meses após o pedido de falência da FTX, os advogados da antiga corretora de criptomoedas começaram a identificar e avaliar seus ativos, enquanto determinam quanto poderão recuperar para reembolsar credores e clientes que perderam bilhões de dólares.

Em um processo judicial, advogados da firma de Nova York Sullivan & Cromwell disseram que localizaram US$ 5,5 bilhões em ativos mantidos em contas de clientes ou escondidos em outras partes da empresa.

Coluna Capital: Bitcoin sobe quase 30% em 2023 e já apaga perdas causadas por escândalo da FTX

Veja quanto: Fiança do cofundador da FTX é uma das maiores estabelecida nos EUA e talvez não seja paga

À medida que os advogados revelavam mais detalhes sobre a natureza dos ativos atrelados à FTX, o escopo do desafio envolvido em desembaraçá-los e recuperá-los tornou-se mais claro. Em apenas três anos, a FTX, fundada por Sam Bankman-Fried, rapidamente colocou dinheiro em uma miscelânea de ativos, de criptomoedas esotéricas a investimentos em centenas de outras empresas.

Cerca de US$ 1,7 bilhão dos US$ 5,5 bilhões estão em dinheiro nos livros contábeis da FTX. Cerca de US$ 3,5 bilhões adicionais estão em ativos de criptomoeda – um pool que inclui moedas mais estabelecidas, como bitcoin, bem como outras moedas de valor mais questionável.

Bankman-Fried, que se declarou inocente das acusações de fraude, lavagem de dinheiro e violações de financiamento de campanha, foi extraditado para os Estados Unidos. Ele também negou ter roubado qualquer dinheiro do cliente.

Os advogados afirmam que o estoque de moedas digitais pode ser transformado em dinheiro porque estas são relativamente fáceis de negociar.

FTX: Crise da maior corretora de criptomoedas dos EUA trouxe preocupação a investidores no Brasil

O total inclui US$ 268 milhões em bitcoin, bem como US$ 245 milhões nas chamadas stablecoins, ou criptomoedas projetadas para manter um valor constante de US$ 1. Mas também inclui participações no valor de centenas de milhões de dólares em moedas menos conhecidas que podem não reter seu valor a longo prazo.

Os ativos digitais recuperados pela FTX também inclui um adicional de US$ 1,2 bilhão em várias moedas digitais mantidas em outras bolsas – participações que os advogados disseram ter “visibilidade limitada”. Uma quantia menor, no valor de cerca de US$ 300 milhões, está em fundos de investimento vinculados ao mercado de criptomoedas.

Apesar da coleção substancial de ativos identificados pelos advogados, a FTX disse em um comunicado que acompanha o processo que encontrou menos ativos digitais do que esperava encontrar, tanto na principal bolsa offshore com sede nas Bahamas quanto em sua unidade nos EUA.

Os promotores afirmam que, durante anos, Bankman-Fried tratou os depósitos dos clientes como ''dinheiro em um cofrinho'' com o qual ele poderia fazer o que bem entendesse.