Escócia travada mas sem desistir do referendo à independência

A primeira-ministra da Escócia não recua...

Depois do Supremo Tribunal do Reino Unido ter decretado que a Escócia não pode convocar unilateralmente um referendo à independência sem a autorização do Parlamento britânico, Nicola Sturgeon diz que as próximas eleições gerais servirão como referendo, pois se os partidos independentistas tiverem mais de 50% dos votos dos escoceses, terão então de ser ouvidos.

"Devemos, e iremos, encontrar outro meio democrático, legal e constitucional através do qual o povo escocês possa expressar a sua vontade. Na minha opinião, isso só pode ser uma eleição. As próximas eleições nacionais previstas para a Escócia são, evidentemente, as eleições gerais no Reino Unido, o que faz delas a primeira e mais óbvia oportunidade para procurar aquilo que descrevi em junho como um referendo de facto", refere a independentista.

Na Câmara dos Comuns, em Londres, o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak defendeu-se depois de ter sido acusado pelo líder parlamentar do Partido Nacional Escocês de negar a democracia ao povo da Escócia.

Sunak afirmou: "penso que o povo da Escócia quer que estejamos a trabalhar para resolver os grandes desafios que enfrentamos coletivamente, quer se trate da economia, do apoio ao SNS ou mesmo do apoio à Ucrânia. Agora é tempo de os políticos trabalharem em conjunto e é isso que este governo vai fazer".

O Governo de Edimburgo diz que não abandona a ideia de um referendo sobre a independência, apesar do bloqueio de Westminster.

A última consulta popular ocorreu em 2014, antes do Brexit. Os independentistas foram derrotados, obtendo 45% dos votos dos escoceses.