Escócia precisa de aprovação do Parlamento britânico para referendo sobre independência, diz tribunal

Primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon

Por Michael Holden e Andrew MacAskill

LONDRES (Reuters) - O governo escocês não pode realizar um segundo referendo sobre a independência sem a aprovação do Parlamento britânico, decidiu a principal corte do Reino Unido nesta quarta-feira, desferindo um duro golpe nas esperanças dos nacionalistas de realizar uma votação no ano que vem.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, líder do Partido Nacional Escocês (SNP), que é pró-independência, havia anunciado no início deste ano que pretendia realizar uma votação consultiva sobre a secessão em outubro do próximo ano, mas que ela deveria ser legal e reconhecida internacionalmente.

Depois que a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que ela não poderia fazê-lo sem a aprovação do Parlamento do Reino Unido, ela repetiu sua promessa de fazer campanha nas próximas eleições em todo o Reino Unido, previstas para 2024, exclusivamente em uma plataforma de saber se a Escócia deveria ser independente, tornando-o um referendo "de facto".

"Devemos e encontraremos outro meio democrático, legal e constitucional pelo qual o povo escocês possa expressar sua vontade. Na minha opinião, isso só pode ser uma eleição", disse Sturgeon a repórteres.

"A partir de hoje, a democracia é o que está em jogo... Agora é sobre se temos ou não o direito democrático básico de escolher nosso próprio futuro", disse ela.

Em um referendo em 2014, os escoceses rejeitaram o fim da união de mais de 300 anos com a Inglaterra por 55% a 45%, mas os nacionalistas argumentam que a votação pelo Brexit dois anos depois, na qual a maioria dos eleitores escoceses se opôs, mudou tudo.

No entanto, o governo britânico em Londres tem dito repetidamente que não concederia permissão para outro plebiscito, dizendo que deveria ser um evento único em uma geração.

Em um veredicto unânime de cinco juízes, a Suprema Corte decidiu que o governo escocês não poderia aprovar uma legislação abrindo caminho para um segundo referendo consultivo sem a aprovação do Parlamento do Reino Unido.

"Respeitamos a decisão clara e definitiva da Suprema Corte", disse o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak.

"Acho que o povo da Escócia quer que trabalhemos para resolver os principais desafios que enfrentamos coletivamente, seja a economia, apoiando o NHS (Serviço Nacional de Saúde) ou mesmo apoiando a Ucrânia, agora é a hora dos políticos trabalharem juntos."