Premier da Escócia é inocentada de infringir código de conduta em escândalo que ameaça projeto separatista

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A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon

A premier da Escócia, Nicola Sturgeon, foi inocentada nesta segunda-feira de ter infringido o código de conduta em sua gestão das acusações de agressão sexual contra seu antecessor Alex Salmond, um escândalo que ameaça seu projeto separatista.

O governo autônomo da Escócia publicou nesta segunda-feira (22) um anteprojeto de lei estabelecendo o cronograma e a pergunta de um novo referendo sobre a independência do país do Reino Unido, fortemente contestado pelo Executivo britânico de Boris Johnson.

A seis semanas das eleições legislativas regionais, nas quais os independentistas do Partido Nacionalista Escocês (SNP), de Nicola Sturgeon, esperam um bom resultado, o ministro para questões constitucionais, Michael Russell, explicou que apresentava o texto para que os eleitores pudessem escolher quem está em melhor posição para liderar a recuperação após a pandemia da covid-19.

De acordo com o anteprojeto de lei, caberia ao Parlamento escocês decidir a data da votação, mas o Executivo local sugeriu que ela fosse realizada após a crise de saúde. Se a maioria do Parlamento regional apoia a organização de um referendo, não haverá "justificativa democrática alguma" para que o governo britânico tente bloquear uma votação, disse Russell, lembrando perigosamente o ocorrido em 2017 na Catalunha, onde foi realizada uma consulta ilegal, reprimida pela polícia da Espanha.

A pergunta feita, "A Escócia deve se tornar um país independente?", permaneceria a mesma de 2014, quando esta nação britânica de 5,5 milhões de habitantes decidiu por 55% permanecer integrada no Reino Unido. Naquela ocasião, o principal argumento contra a independência era o risco de ficar de fora da União Europeia.

Paradoxalmente, dois anos depois, todo o Reino Unido votou a favor do Brexit e os escoceses, que se opuseram em 62% à saída britânica do bloco, viram-se fora do mesmo contra a sua vontade. Esse fato, somado à boa gestão da pandemia pela primeira-ministra escocesa, que contrastou com as políticas caóticas de Boris Johnson, deu um apoio renovado ao movimento de independência.

- Premier ganha fôlego -

Nas últimas semanas, no entanto, Nicola Sturgeon viu-se em um escândalo político que ameaçou obrigá-la a renunciar e tirar votos do SNP nas eleições regionais de 6 de maio, arruinando seus projetos. A polêmica envolve a forma como o Executivo e a própria Nicola lidaram com as acusações de agressão sexual contra seu antecessor e ex-mentor, Alex Salmond, absolvido pela Justiça em 2020.

Nesta segunda-feira, foi apresentado um relatório independente elaborado pelo advogado James Hamilton que a inocentou, após concluir que "a premier não infringiu as disposições do código ministerial sobre esse assunto". "Em todo momento, tentei agir com integridade e de acordo con o interesse público", declarou Nicola, cujo fôlego pode durar pouco, uma vez que uma comissão do Parlamento escocês deve divulgar amanhã seu próprio relatório, que, segundo a imprensa local, concluiu que a líder enganou os deputados.

Defensora dos direitos das mulheres, no contexto do movimento #MeToo a primeira-ministra ordenou em 2018 uma mudança na forma de lidar com as acusações de assédio sexual, alegando ignorar o caso de Salmond na época.

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