Esclerose múltipla: o que é a doença diagnosticada em Guta Stresser

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Guta Stresser foi diagnosticada com esclerose múltipla (Foto: Reprodução/Instagram/@gutastresser)
Guta Stresser foi diagnosticada com esclerose múltipla (Foto: Reprodução/Instagram/@gutastresser)

A atriz Guta Stresser, que interpretou a personagem Bebel, em A Grande Família, da TV Globo, contou como recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla em uma entrevista para revista "Veja". Segundo ela, foi “aterrorizante” e a fez “perder o chão” na mesma hora. “Nem sabia direito o que era aquilo, só que afetava o cérebro”, falou.

Sobre os sintomas, revelou que em 2020 percebeu que estava com dificuldade de lembrar das coisas, mas não deu muita importância para os lapsos.

Depois, com o quadro se agravando, Guta passou a esquecer palavras simples, como copo e cadeira. Ela também tinha formigamentos frequentes nos pés e nas mãos, enxaquecas intensas, variações de humor e zumbido no ouvido. Mas foi só após cair na sala de casa que procurou atendimento médico e, então, o diagnóstico veio.

"Sei que vou ter de conviver com a esclerose múltipla para o resto da vida. Que ela seja longa e plena. Cada dia que passa tem aquele gosto de uma pequena vitória", disse a artista.

Ao Yahoo, Aline MB Matos, neurologista do Hospital Santa Paula, em São Paulo, explicou que a esclerose múltipla é uma doença crônica e autoimune que ataca o sistema nervoso central.

"Uma doença crônica é quando não se tem um tratamento curativo. No caso da esclerose, apesar de ser uma doença crônica, há tratamentos [para amenizar os sintomas] tanto no SUS (Sistema Único de Saúde) quanto na assistência privada."

Quando falamos em doença autoimune, diz ela, significa que a condição surge a partir de uma alteração do sistema imunológico do indivíduo.

"O sistema imunológico do paciente com esclerose múltipla confunde a bainha de mielina, uma espécie de membrana que recobre uma parte do neurônio, com um corpo estranho. Assim, erroneamente, o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina e, por consequência, afetar o funcionamento do sistema nervoso", esclarece Matos.

Segundo a neurologista, a doença atinge homens e mulheres, mas há uma incidência maior entre as mulheres.

Sintomas

Os sintomas tendem a aparecer entre 30 e 35 anos de idade. Alguns dos sinais são:

  • Fadiga;

  • Visão borrada;

  • Perda da força muscular, como dificuldade para andar;

  • Alteração de sensibilidade;

  • Desequilíbrio;

  • Falta de coordenação dos movimentos.

Diagnóstico

Para diagnosticar a esclerose múltipla, a médica elenca três métodos:

  • História clínica do paciente para saber quais e quando os sintomas apareceram;

  • Realização de exames complementares, como ressonância magnética do crânio, da coluna cervical e torácica;

  • Realização do exame de líquor —punção da coluna lombar.

Tratamentos

Embora seja uma doença que não tem cura, a esclerose múltipla conta com tratamentos medicamentosos para minimizar os sintomas. A neurologista explica que o tipo de tratamento leva em consideração a sua gravidade —se tem um comportamento mais leve, se está em estágio moderado ou se surgiu com alta agressividade.

"O importante é que diante de um sintoma neurológico novo o paciente procure logo uma unidade de pronto atendimento para ter uma rápida avaliação. O diagnóstico precoce e o tratamento modificam bastante a história da doença para o paciente", afirma.

A neurologista diz ainda que o objetivo é que a rotina do paciente seja a mais próxima possível do que era antes de receber o diagnóstico. "Ele vai poder constituir uma família, continuar com seus planos, fazer as viagens que sempre quis. Hoje o mais gratificante é saber que há possibilidade de fazer isso."

Além do tratamento medicamentoso, Matos recomenda manter uma rotina de exercícios físicos para ajudar na capacidade de regeneração do sistema nervoso, melhorar a sensação de fadiga e prevenir outras doenças, como as cardiopatias.

Guta tem feito todo tipo de exercício para o cérebro —e Aline reforça a importância de manter a atividade cognitiva diariamente. "Ler frequentemente e interagir com muitas pessoas durante o dia são métodos que ajudam no tratamento da esclerose múltipla", diz a neurologista.

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