Escola em Hong Kong busca voluntários para se confinar antes de visita de Xi Jinping

Uma escola de ensino fundamental de Hong Kong está à procura de alunos voluntários para passar uma semana em quarentena em um hotel antes do aniversário da devolução da cidade à China, alimentando especulações de uma visita do presidente chinês, Xi Jinping.

O dia 1º de julho marcará o 25º aniversário da retrocessão de Hong Kong pelo Reino Unido à China. O novo chefe do Executivo local, John Lee, tomará posse nesta data.

Os presidentes chineses costumam assistir à posse do chefe do Executivo local. Xi Jinping esteve em Hong Kong em 2017, mas não deixou a China continental desde o início da pandemia de coronavírus.

A menos de duas semanas do evento, sua ida a Hong Kong permanece incerta.

A mídia local tem preenchido suas colunas com artigos sobre as medidas extraordinárias que estariam sendo implementadas para proteger do coronavírus os altos funcionários que comparecerão à posse. Com isso, centenas de pessoas estão sendo postas em quarentena.

Entre as medidas citadas, geralmente por fontes anônimas, uma foi confirmada.

Pais de alunos da Escola Wong Cho Bao, administrada pela Federação de Profissionais da Educação de Hong Kong (HKFEW), pró-Pequim, foram convidados a inscrever seus filhos para que possam receber os dignitários em visita.

Os estudantes terão de passar sete dias em quarentena em um hotel, longe de suas famílias. O governo vai arcar com os custos, segundo uma nota apresentada à AFP pelo diretor da escola, Wong Kam-leung.

O documento encoraja os pais a inscreverem seus filhos para uma "missão honrosa", que consiste em receber os visitantes no aeroporto em 30 de junho e cumprimentá-los um dia depois, quando deixarem Hong Kong.

Os alunos voluntários iniciarão a quarentena em 23 de junho sob a supervisão de um professor e participarão das aulas por videoconferência. Além disso, deverão estar com duas doses da vacina anticovid-19 em dia.

Wong, que também é presidente da HKFEW, evitou dizer quantas famílias se inscreveram como voluntárias.

A China permanece fiel à sua estratégia de "covid zero", que visa a extinguir qualquer surto por meio de campanhas de testagem em massa, confinamentos e rigoroso controle de fronteiras.

Hong Kong adota sua própria estratégia e se isolou do mundo durante grande parte da pandemia. Ainda assim, as restrições são menos severas do que na China continental. E, embora algumas centenas de casos sejam relatadas todos os dias, as medidas vêm diminuindo nos últimos meses.

Por causa dessa diferença de política, os habitantes de Hong Kong que terão contato com os líderes chineses certamente terão de cumprir uma quarentena, conforme a imprensa local.

As autoridades planejaram um "sistema de circuito fechado" para isolar quase 1.000 pessoas, incluindo a atual presidente-executiva, Carrie Lam, seu sucessor, John Lee, e outros funcionários de alto escalão do governo, de acordo com o South China Morning Post. Os membros do Conselho Legislativo também poderão ter de ficar em quarentena.

Xi Jinping não sai da China continental desde janeiro de 2020, quando o coronavírus apareceu na cidade de Wuhan antes de se espalhar pelo globo.

O presidente se isolou do resto do mundo, e a China com ele, mantendo as fronteiras praticamente fechadas, além de evitar viagens internacionais.

Em 2017, Xi ficou em Hong Kong por três dias para o 20º aniversário da transferência do território e para a posse de Lam.

Em maio passado, anunciou um "novo capítulo" para a cidade, depois que grandes protestos pró-democracia foram reprimidos em 2019, e uma lei de segurança nacional foi implementada para reprimir a dissidência.

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