Escola de futebol salva crianças de integrarem grupos armados na República Democrática do Congo

As bolas pretendem ganhar o jogo contra as balas na República Democrática do Congo. Os macacos servem de público e o verde do Parque Nacional de Virunga serve de relvado: vários jovens dão chutos numa bola, na esperança de se tornarem jogadores profissionais de futebol, em vez de acabarem numa das milícias presentes no país há décadas.

Cinquenta rapazes; com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos; foramselecionados para integrar a nova escola de futebol criada pelo Parque Nacional Virunga, um espaço natural famoso pelos gorilas e vulcões, mas repleto de grupos armados.

O estádio foi construído na aldeia de Rumangabo e o coordenador do projeto explica que foi instalado meio do Parque Virunga, onde os jovens podem ser tentados pelos vários grupos armados presentes no Parque. Dizendo ainda que acredita que a ocupação do parque é positiva, para evitar que estes jovens se sintam manipulados ou usados". Para ele, o desporto em equipa é também uma forma de difundir uma mensagem de paz e de educar as crianças e os jovens sobre a conservação dos parques.

"Quero ter uma carreira como o Cristiano Ronaldo", diz Gloire, de 13 anos. Acrescentando ainda que tendo o futebol como alternativa, não tem ideias de se juntar a grupos armados. Quer jogar futebol e seguir o caminho do bem; cumprindo o "sonho de ser como o Cristiano, porque também ele começou de forma humilde" - disse.

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Gloire Gashagi - AFP

Mas os rebeldes estão a menos de seis quilómetros da escola.Outros grupos armados, alguns estabelecidos na região desde o genocídio no Ruanda, há 28 anos, estão também nas proximidades, mas pelo menos alguns jovens podem "chutar" agora noutra direção, mais segura e produtiva.