Escola de Nova York denuncia 'guerra cultural' após ser criticada por guia de linguagem 'inclusivo'

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(Arquivo) Vista do bairro de East Village, onde fica a escola

Criticado por ter pedido a alunos, pais de alunos e funcionários que evitem termos femininos ou masculinos, o diretor de uma escola particular de Manhattan se defendeu nesta sexta-feira, em um novo episódio da guerra cultural nos Estados Unidos.

Alimentados pela polarização política, esses debates também nutrem a polêmica recente causada pela retirada do mercado de livros do autor infantil Dr. Seuss devido a desenhos considerados racistas pela própria editora.

Desta vez, foi um "guia de linguagem inclusiva" lançado pela Grace Church School, escola episcopal do East Village aberta a estudantes de todas as religiões ou sem religião, que relançou a polêmica. O manual, lançado pela instituição meses atrás, mas divulgado pela imprensa ontem, assinala que deve-se tentar substituir palavras que constituam "suposições dolorosas" por termos "mais inclusivos".

O guia, de 12 páginas, menciona as numerosas problemáticas de linguagem do momento, sejam elas de gênero, da composição das famílias e de orientação sexual, racismo ou pequenas agressões. Ele enumera, sobretudo, termos correntes, como "boys" e "girls", "ladies" e "gentleman", e pede que os mesmos sejam substituídos por palavras sem gênero, como "people", "folks" e "friends". O manual também pede que as pessoas que se apresentarem em classe digam qual pronome preferem que seja usado quando forem citadas.

Cada vez mais americanos que se declaram progressistas reivindicam o direito de escolher por qual pronome preferem ser chamados, independentemente do seu sexo de nascimento. A divulgação do guia pela imprensa, em grande parte devido a um debate conduzido na noite de ontem pelo apresentador Sean Hannity, do canal Fox News, colocou a escola "no olho do furacão da guerra cultural", admitiu seu diretor, George Davison, em mensagem publicada no site da instituição.

Segundo Davison, o manual não proíbe nenhuma palavra, e a escola entende "o poder da linguagem tanto para incluir quanto para produzir alienação". Ele estimou que a instituição tem a responsabilidade de "oferecer aos membros da comunidade recursos que lhes permitam fazer escolhas informadas e generosas. O espírito desse guia é dar a todos nós palavras que nos unam."

Fundada em 1894, a Grace Church School tem 770 alunos, que frequentam aulas do jardim de infância ao ensino fundamental.

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