Escola de SP contraria ministério da Saúde e coloca alunos em quarentena por coronavírus

CAMILA MATTOSO
GUARULHOS, SP, 26.02.2020 - BRASIL-CORONAVÍRUS-SP - Passageiros e funcionários do aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, usam máscaras de proteção após primeiro caso confirmado de Coronavírus no Brasil, na quarta-feira (26) . (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escola Pueri Domus, de São Paulo, decidiu decretar quarentena de 15 dias a alunos que tenham viajado a 16 países onde foram detectados casos de coronavírus.

A medida contraria o Ministério da Saúde e é criticada por infectologistas, como David Uip, coordenador do Centro de Gestão do Coronavírus do Estado de São Paulo. “Além de não ser efetivo, não é pertinente, nem conveniente, nem ajuda”, diz Uip.

Para o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, é lamentável.

“Parece que estamos na idade média, quando os países tinham os lazaretos. Fazer qualquer medida contra um país específico é, no mínimo, irracional, pois não vai impedir a introdução da doença caso a origem não esteja na orientação da escola.”

Lazaretos eram estabelecimentos que ficavam junto aos portos, aos quais se recolhiam viajantes procedentes de países onde havia epidemias ou doenças contagiosas.

Uip diz temer os efeitos que medidas como essa possam ter em cascata. "Se isso vira moda entre alunos de escolas, o que vai acontecer com todas as outras atividades, como bancos e indústrias?", afirma.

"As condutas para o enfrentamento da doença são hierarquizadas e devem ser de atribuição do Ministério da Saúde". Ele afirma que já acionou o ministério para que, nesta segunda (2), sejam tomadas providências para evitar medidas como essa.