Escolas de SP têm merenda com carne de frigoríficos interditados

Secretário de Educação, Rossieli Soares, afirmou que exonerou os servidores responsáveis pela contratação das empresas. (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press)

A gestão do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), contratou três frigoríficos interditados pelo Ministério da Agricultura para fornecer carne das merendas de escolas da Rede Estadual de Ensino. Nesta quinta-feira (21), três funcionários responsáveis pela contratação foram exonerados do governo.

As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O produto de, ao menos, uma das empresas continuava sendo entregue às unidades de ensino da rede mesmo depois da aplicação da penalidade de fraude econômica. A punição ocorre quando há troca de produtos como carne de qualidade inferior sendo vendida como carne de primeira, por exemplo.

O fornecimento de carne para a merenda é realizado pelas empresas NS Alimentos, que entrega carne de porco e coxão mole; Centroeste, que tem contratos para carne moída; e Fridel, contratada para fornecer patinho e coxão mole. Este último acordo de fornecimento foi reaberto na quarta-feira (20).

Embora com as atividades suspensas, os três frigoríficos são responsável pelo fornecimento da maior parte das carnes servidas aos alunos do estado desde o ano passado.

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O Ministério da Agricultura informou à Folha de São Paulo que a suspensão das atividades da NS Alimentos foi determinada em 30 de janeiro. No entanto, a empresa firmou no dia 11 de fevereiro contratos com a Secretaria da Educação do Estado no valor de R$ 7,9 milhões somente para a compra de coxão mole e pernil.

Unidades da rede estadual relatam dificuldade no recebimento de carne. Em uma escola na cidade de Americana os pais chegaram a fazer uma contribuição para comprar a proteína para servir aos alunos.

EXONERAÇÕES

Então chefe da Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares da Secretaria da Educação, Júlio César Forte Ramos é um dos exonerados. Ele assinou em fevereiro contratos para o fornecimento de carne com empresas que já haviam tido atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura.

O secretário de Educação, Rossieli Soares, afirmou que tomou a decisão de exonerar os servidores porque eles descumpriram a determinação anterior dele de não comprar carne dos frigoríficos atingidos pelas medidas do ministério. Ele ressaltou que eles já estavam na secretaria quando ele tomou posse no cargo, em janeiro.

“Estamos reorganizando a casa”, disse.

OUTROS LADOS

Em nota, a Secretaria Estadual da Educação afirmou nesta quinta-feira (21) que “ao tomar ciência de que carne de frigoríficos com atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura foram distribuídas nas escolas estaduais, o governador João Doria determinou que todo o produto fosse imediatamente recolhido”.

Soares destacou que foi aberta uma comissão de apuração interna e será contratada uma auditoria para avaliar a merenda da rede. Ele afirmou que a carne dos frigoríficos interditados não oferecia riscos à saúde dos alunos e que as irregularidade consistia no fato de a secretaria ter pago por um produto diferente do que veio, por exemplo, com mais água para aumentar o peso.

De acordo com o secretário, a carne da NS Alimentos enviada para as escolas após a interdição da empresa é de lote produzido antes da fiscalização do Ministério da Agricultura. Ele disse que consultou a pasta federal para avaliar se o produto pode ou não ser consumido. Por ora, a determinação às escolas é que não seja servido às crianças.

A NS Alimentos afirma que “se encontra em atendimento a demandas técnicas formuladas por órgão do Ministério da Agricultura, não havendo em sua história nenhuma condenação em processo administrativo ou judicial da pasta, bem como, de outro órgão público.”

As empresas Fridel e Centroeste não responderam aos contatos da reportagem da Folha.