Escolas particulares fazem planejamentos diferentes de acordo com o nível de contaminação da Covid-19

Pedro Zuazo
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Scarlett/divulgação/escola americana

RIO — Expectativa e ansiedade são sentimentos comuns no primeiro dia de aula. Mas o início do ano letivo nas escolas particulares do Rio, esta semana, representa um desafio inédito para alunos e professores. Após um ano marcado por incertezas e protocolos criados às pressas, as instituições de ensino aproveitaram as lições aprendidas desde o início da pandemia para reformular a logística das salas de aula em 2021. O Colégio Santo Inácio, em Botafogo, dividiu as turmas em grupos que vão se revezar semanalmente em aulas presenciais e remotas, a partir de amanhã. Na Escola Parque, com unidades na Gávea e na Barra, alunos do ensino fundamental irão participar das aulas presenciais dia sim, dia não. Já o Colégio Andrews, no Humaitá, investiu na adaptação da infraestrutura para receber diariamente os alunos que desejarem frequentar a escola, garantindo o cumprimento das medidas sanitárias.

O planejamento personalizado das unidades era esperado, segundo o diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Rio (Sinepe), Lucas Werneck Machado. Em março do ano passado, quando as aulas foram suspensas, houve um movimento homogêneo de migração para o ensino remoto, mas essa uniformidade não se manteve em outubro, quando o retorno do presencial foi autorizado. Cada escola voltou no seu ritmo, e algo semelhante deve acontecer no início deste ano letivo.

— Existem alguns pontos que serão comuns a todas as escolas: o cumprimento das regras sanitárias e a manutenção do ensino híbrido. Mas o formato das atividades presenciais vai variar de acordo com o tamanho e a capacidade de cada escola. Estamos bastante otimistas com esse retorno — afirma.

Também foi com otimismo que alunos e professores retornaram às aulas, ontem, na Escola Americana. Com unidades na Barra e na Gávea, a instituição optou pelo escalonamento de alunos para cumprir o protocolo. Ontem, voltaram às salas alunos que estão cursando até o 6º do ensino fundamental. Os estudantes de turmas mais avançadas só voltarão no fim de fevereiro.

— Nossos alunos já estão bem acostumados aos protocolos sanitários, pois eles voltaram às aulas, no formato híbrido, no semestre passado. O retorno à escola foi muito especial e emotivo para nós. Não há nada melhor que o som das crianças às gargalhadas enquanto brincam para nos lembrar porque trabalhamos com Educação — disse o diretor-geral da Escola Americana, Nigel Winnard.

Para cumprir as determinações de um decreto do governo estadual publicado na semana passada, as escolas particulares estão trabalhando com quatro cenários. De acordo com o decreto, a capacidade máxima de alunos que a escola pode receber vai variar de acordo com a cor da bandeira do município no mapa de risco da Covid-19. Na bandeira verde, as escolas podem receber 100% dos alunos. Na bandeira amarela, a capacidade de atendimento para atividades presenciais deve ser de até 50%. O percentual cai para 35% no caso da bandeira laranja — situação da capital no último boletim. Na vermelha, todas devem fechar.

Diretor do Andrews, Pedro Flexa Ribeiro explica que os pais receberão o planejamento de acordo com cada cor de bandeira e, a cada sexta-feira, serão informados sobre o estágio do município no mapa de risco.

— Precisamos reorganizar nosso planejamento para definir um modo de funcionamento para cada bandeira. Nos próximos dias, as famílias devem receber uma circular informando qual será o modo de operar em cada situação. A cada sexta-feira, dependendo da bandeira do município, vamos saber quantos dias na semana cada série poderá ter atividades presenciais — diz Ribeiro.

A Escola Parque também prevê redução de atividades presenciais de acordo com a cor da bandeira, exceto para os alunos menores. A instituição apostou nas atividades em áreas externas para não precisar fazer escalonamento com os alunos da educação infantil.

— Nossas duas unidades têm áreas externas muito grandes. A da Gávea está dentro da Floresta da Tijuca. A da Barra tem dois grandes campos. Então, temos estrutura para o retorno no modelo presencial para a educação infantil. Já os ensinos fundamental e médio terão o modelo híbrido, com aulas escalonadas — explica Viviane Monteiro, coordenadora da escola.

O Colégio Inovar Veiga de Almeida foi além das mudanças na logística. Considerando o cenário do ensino remoto, a instituição reduziu o peso das provas e aumentou o peso dos trabalhos para a nota final. A prova passará a valer de 30% a 50% da composição do conceito trimestral.

— A prova como única forma de avaliação final perde significado. O processo para medir a absorção do conhecimento será mais focado na realização de trabalhos, com entregas periódicas — explica Luinha Magaldi, diretora pedagógica do colégio.