Escolas particulares privilegiam aulas presenciais para crianças pequenas

ANGELA PINHO E ISABELA PALHARES
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Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Colégios particulares de São Paulo optaram por um rodízio de estudantes que privilegia aulas presenciais para crianças pequenas. Em alguns casos, a divisão foi feita para que os alunos de educação infantil possam ir todos os dias para a escola.

Pela autorização atual, do governo estadual e da prefeitura, as escolas podem iniciar o ano letivo com aulas presenciais desde que só recebam ao mesmo tempo 35% dos alunos matriculados. Como a maioria dos pais optou por enviar os filhos para as unidades, os colégios têm buscado formas de atender a todos dentro da regra vigente.

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Ainda que a decisão, de privilegiar as aulas presenciais para os alunos mais novos, não tenha agradado a todos os pais, as escolas defendem que, na educação infantil (de 0 aos 5 anos) e nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), há maior dificuldade de continuar com o ensino remoto.

No colégio Augusto Laranja, em Moema, mais de 70% dos pais de todas as séries informou querer que os filhos retornassem para o ensino presencial. Como não seria possível atender a todos diariamente, a direção decidiu que os alunos dos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9ºano) e do médio só teriam aulas presenciais 2 ou 3 vezes por semana.

Dessa forma, os alunos de educação infantil e do 1º ano do ensino fundamental vão poder ir todos os dias para a escola.

"Claro que todas as séries da educação básica precisam do ensino presencial, mas entendemos que era mais urgente e necessário para o infantil, onde o ensino remoto foi mais difícil pelas características da idade", diz Marina Pedrosa, coordenadora da unidade.

Segundo Pedrosa, após a definição de que as crianças menores teriam aula todos os dias, o número de matrículas nas primeiras séries da educação infantil (até os 3 anos, quando a frequência escolas ainda não é obrigatória por lei) aumentou.

"Os pais estavam aguardando a definição de como seriam as aulas neste ano para decidir se iriam matricular as crianças, já que nessa etapa, por maior que seja o esforço para um bom ensino remoto, não é possível se equiparar ao presencial."

No colégio Rio Branco, em Higienópolis, uma pesquisa identificou que cerca de 75% das famílias queriam o retorno presencial. Para que todos pudessem frequentar a escola, a direção decidiu que alunos dos anos finais do fundamental e ensino médio fariam rodízio semanal.

As crianças do infantil e 1º ano vão quatro vezes por semana. Os de 2º e 3º ano, 3 dias. Os de 4º e 5º ano, 2 dias. "Temos cerca de mil alunos, cada um com demandas e rotinas familiares diferentes, foi preciso uma organização para atender a todos da melhor forma dentro do que é possível nesse momento", diz Esther Carvalho, diretora-geral do colégio.

O gerente comercial Carlos Renato Bezerra, 39, considera que foi correta a decisão do colégio de privilegiar o atendimento aos mais novos. Ele é pai do Miguel, 7, que foi para o 2° ano.

"Nós tivemos uma boa experiência porque o Miguel se adaptou bem ao ensino remoto, a professora foi excelente. Mas ele está em processo de alfabetização, é o momento mais importante e determinante de toda a trajetória escolar dele, é preciso que seja dada uma atenção maior."

No Santa Cruz, em Alto de Pinheiros, também terão mais aulas presenciais as crianças da educação infantil (alternando uma semana duas vezes e outra três vezes) e as do primeiro ano do ensino fundamental, que irão três vezes toda semana.

As demais séries do ensino regular terão aulas duas vezes por semana e, na EJA (Educação de Jovens e Adultos), a frequência remota será maior na maior parte das fases, com exceção da dos alunos que estão em fase de alfabetização. Dessa forma, a escola conseguirá se encaixar no limite de 35% da capacidade.

Dar uma atenção especial à alfabetização foi justamente o objetivo de dar ao 1° ano do fundamental uma frequência maior, diz a diretora pedagógica Debora Vaz.

Nessa fase, explica, contribui muito para o processo a possibilidade de o professor observar de perto o processo de escrita dos alunos, e o mesmo vale pra a observação entre os alunos.

As crianças menores, por sua vez, devem ter mais encontros presenciais do que as maiores porque sentem mais os efeitos do ensino remoto. Um exemplo são as relações de amizade. "Enquanto um adolescente consegue manter um laço com as ferramentas de comunicação digital, para as crianças mais novas isso é mais difícil", diz Débora.

No Santi, Paraíso, a ideia também é priorizar o retorno presencial da educação infantil, também pelo motivo de as crianças dessa etapa terem mais dificuldade com o ensino remoto.