Escolas de samba e blocos receberão ajuda do estado para enfrentar o ano sem carnaval no Rio

Rafael Galdo
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Em vez da apuração das notas dos jurados na Praça da Apoteose, as atenções dos sambistas nesta Quarta-feira de Cinzas de pandemia estavam todas voltadas para uma solenidade no Palácio Guanabara, onde o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, assinou o termo de autorização para uso do Fundo Estadual de Cultura em apoio às escolas de samba e aos blocos do estado. Foi lançado um edital complementar à Lei Aldir Blanc para que as entidades carnavalescas não contempladas pelo programa de incentivo à cultura possam receber ajuda do governo estadual. No caso das agremiações do Grupo Especial do Rio, oito delas receberão R$ 150 mil cada em verbas que serão destinadas às lives das escolhas de samba-enredo para 2022. Outras quatro escolas (Mocidade, Beija-Flor, Grande Rio e Viradouro) já tinham sido aprovadas na Aldir Branca.

— O que mais me deixou aflito no Carnaval foi cada emprego que não foi criado este ano. A indústria do carnaval não é só feita nesses dias — afirmou Castro. — Dentro de duas a três semanas, no máximo 30 dias, as pessoas já vão receber os recursos.

Além das escolas de samba, ligas de blocos também serão beneficiadas com valores a partir de R$ 50 mil. A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, disse que o valor ultrapassa R$ 1,5 milhão neste momento. Mas outras iniciativas de apoio ao Carnaval estão sendo analisadas.

— Vamos credenciar todos os blocos e escolas que foram habilitados na Lei Aldir Blanc, mas que não receberam por uma questão de classificação — afirmou Danielle. — Na secretaria de Cultura existem outros projetos para apoiar a cadeia produtiva do carnaval, muito no olhar para a cultura olhando para as pessoas.

A secretária confirmou ainda que está sendo estudada a possibilidade de antecipar o uso da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, por meio do ICMS, para que o governo contribua com as escolas de samba nos preparativos para os desfiles de 2022. As medidas foram comemoradas por presidentes de ligas e escolas de samba presentes.

— São iniciativas que tiram as escolas das dificuldades de um ano inteiro sem receita, sem evento de quadra, para fazer face às despesas que não param de existir. Esses recursos são efetivamente muito bem-vindos — afirmou Jorge Castanheira, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa).