Escolas usam Tik Tok e games para estimular alunos

Natália Boere
·2 minuto de leitura
Fotos de arquivo pessoal

RIO — A vida estava tão, tão chata em tempos de pandemia e isolamento, que a professora Joana Hist, que ensina história na Escola Nova, na Gávea, resolveu aumentar a conexão com os alunos da forma que podia: através do mundo virtual. Em vez de propor que eles desenhassem charges que traduzissem conteúdos aprendidos como forma de avaliação, tal qual fazia na era “pré-covidiana”, pediu que eles se expressassem usando o Tik Tok. Para os não iniciados, é aquele aplicativo de vídeos curtos musicados, febre entre os mais jovens.

— Quis usar a tecnologia em favor do estímulo à autoria dos alunos, numa linguagem que eles dominam com maestria. A intenção era fugir do “decoreba”. Oferecer a eles o prazer de construir o próprio conhecimento. Os resultados foram emocionantes — conta.

Maria Antonia Vereza, de 14 anos, aluna do 1º ano do ensino médio, fez uma animação narrando a Primeira Guerra Mundial ao som da “Pequena serenata noturna”, de Mozart. Tudo desenhado e editado por ela. Tirou nota máxima.

— Achei a ideia genial. Levei quase cinco horas fazendo tudo, bem mais tempo do que levaria numa avaliação convencional. Mas me empenhei bem mais. E aprendi muito mais sobre o assunto, porque tive a chance de explicá-lo com as minhas próprias palavras — diz Maria Antonia, que mora no Leblon.

Foi a vontade de tornar o aprendizado dos alunos mais lúdico e interativo que fez com que a escola de tecnologia CodeBuddy, com unidades no Flamengo, em Botafogo, no Jardim Botânico e no Leblon, adotasse uma interface que funciona como um game: os estudantes vão passando de fase e ganhando pontos, que podem ser usados para conquistar benefícios, como acessórios para seu avatar.

— Cada aula é uma fase. Quando o aluno conquista todas as fases de um mundo, abre a porta de um mundo novo, de um total de seis. Desta forma, ele tem a sensação de progresso e se sente motivado a continuar trabalhando — afirma Guilherme Gani, coordenador de conteúdo da CodeBuddy.

Aluno do curso de programação, Pedro Sussekind, de 12 anos, que planeja trabalhar com design de jogos eletrônicos, afirma que desta forma foi mais fácil aprender o sistema de códigos.

— O ensino é bem lúdico e nos mantém sempre interessados — afirma o menino, também morador do Leblon.

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