Escolhido de Bolsonaro, Ricardo Barros foi líder na Câmara no governo FHC e vice-líder nas gestões de Lula e Dilma

Natália Portinari, Bruno Góes e André de Souza
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Escolha de Ricardo Barros é mais um gesto de aproximação com o centrão

No gesto mais expressivo de aproximação com o centrão, o presidente Jair Bolsonaro vai entregar a liderança do governo na Câmara ao deputado Ricardo Barros (PP-PR), integrante do grupo. Ele vai ocupar a vaga de Vitor Hugo (PSL-GO), aliado fiel do presidente, mas alvo de grande rejeição por parte dos parlamentares. A mudança será oficializada na terça-feira.

Barros foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer, além de líder na Câmara quando Fernando Henrique ocupou a Presidência e vice-líder nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e do próprio Bolsonaro. A indicação, que ocorre em meio à crise provocada pela debandada na equipe econômica, consolida o movimento que já vinha ocorrendo com a nomeação de indicados do centrão em cargos na estrutura federal.

“Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro pela confiança do convite para assumir a liderança do governo na Câmara dos Deputados, com a responsabilidade de continuar o bom trabalho do líder Vitor Hugo, de quem certamente terei colaboração”, escreveu Ricardo Barros nas redes sociais.

Apesar de Vitor Hugo ter tido uma sobrevida, nos últimos meses, quem desempenhava o papel, informalmente, era o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL). Mesmo sendo do mesmo partido de Barros, Lira nunca nutriu simpatia pelo colega e chegou a trabalhar contra a sua nomeação como líder do governo. Mas, por outro lado, Barros é próximo do líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO).

Em fevereiro do ano passado, Barros chegou a concorrer à presidência da Casa e foi derrotado por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sua principal plataforma de campanha era a proteção de “garantias” dos deputados, que estariam ameaçadas pela Operação Lava-Jato.

Em setembro de 2019, Ricardo Barros e a bancada de deputados do Paraná tiveram uma reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para discutir a indicação de cargos ao governo. Já há indicados do centrão em órgãos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).