Escolhido para comandar a PF é próximo da política e já ocupou cargos em governos do PT e PSDB

MATHEUS TEIXEIRA E MARCELO ROCHA
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, tem no currículo cargos de confiança em governos do PSDB e do PT. É considerado hoje um dos quadros da corporação mais próximos da política. Escolhido pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, para chefiar a corporação, o delegado foi secretário de Esporte e Lazer do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo entre 2016 e 2018 e assessor especial da Secretaria de Segurança do Distrito Federal na gestão de Agnelo Queiroz (PT). É considerado por Torres um nome que ajudará o Palácio do Planalto a refazer a base na Segurança Pública, desarticulada nos últimos meses -reflexo das mudanças realizadas na pasta da Justiça com a saída de Sergio Moro, no primeiro semestre do ano passado, e com a dificuldade do governo de levar adiante no Parlamento matérias de interesse do grupo. Assim como o novo ministro da Justiça, Maiurino tem uma bom trânsito na relação com a bancada da bala no Congresso Nacional. No comando da PF, Maiurino terá o desafio de manter a independência da corporação sem desagradar o presidente Jair Bolsonaro. Além do Legislativo, o novo diretor da PF também tem interlocução com o Judiciário. Ele chefiou a Secretaria de Segurança do STF (Supremo Tribunal Federal) entre outubro de 2019 e setembro de 2020 e tem boa relação com os ministros da corte. Maiurino e Torres, que também é delegado da PF, se conheceram na corporação. Maiurino foi apresentado a Bolsonaro, que concordou com a escolha, na última sexta-feira (2). O delegado assume o cargo em um momento conturbado, após o chefe do Executivo fazer seis mudanças no primeiro escalão do governo e trocar também o comando do Ministério da Justiça. Dentro da PF, ele já ocupou cargos relevantes. Comandou a Interpol Brasil (Divisão de Cooperação e Operações Policiais Internacionais) e foi assessor de relações internacionais da direção da corporação. Além disso, chefiou o Serviço de Planejamento e Controle e a Divisão de Organização e Métodos da Diretoria de Administração e Logística da PF. Ele tem duas pós-graduações sobre segurança pública, uma na Universidade de Virgínia nos Estados Unidos e outra na Academia Nacional de Polícia. Maiurino ocupará o lugar de Rolando de Souza, nomeado para o cargo em maio do ano passado. Rolando chegou ao posto em um momento turbulento, após Moro e o então chefe da PF, Maurício Valeixo, pedirem demissão acusando o presidente de querer interferir nos trabalhos da corporação. Com a saída dos dois, o chefe do Executivo decidiu nomear o delegado Alexandre Ramagem para o cargo. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, porém, vetou a posse de Ramagem sob a alegação de que violava o princípio da moralidade e da impessoalidade. O delegado era amigo da família do presidente. Após a saída de Moro do governo, o Supremo instaurou um inquérito para apurar as acusações. Em depoimento prestado à polícia sobre o tema, Moro apresentou uma mensagem que recebeu de Bolsonaro relativa ao assunto: "Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro", disse o presidente a Moro, por mensagem de WhatsApp, segundo transcrição do depoimento do ex-ministro à PF. Na época, a corporação trocou a chefia no Rio de Janeiro. O delegado Carlos Henrique Oliveira deixou o cargo para ser o diretor-executivo da polícia, número dois na hierarquia do órgão, e Tássio Muzzi entrou no seu lugar. Maiurino, porém, é visto como mais habilidoso politicamente do que os dois antecessores. Antes de chegar à PF, era assessor especial de segurança institucional da presidência do Conselho da Justiça Federal. Entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, integrou o Conselho de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo, além da secretaria de Esportes, também foi subsecretário na pasta da Segurança Pública de maio a dezembro de 2018. No Ministério da Justiça, já foi corregedor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) entre 2010 e 2012, englobando as gestões dos ex-ministros Luiz Paulo Barreto e José Eduardo Cardozo. Apesar dos cargos que ocupou posteriormente em administrações petista e tucana, Maiurino atuou, em auxílio ao delegado Luís Flávio Zampronha, nos inquéritos do mensalão do PT e do mensalão mineiro tucano em meados dos anos 2000. Graduado em direito pela Faculdade de Direito de Marília (SP), também viveu a adolescência no interior paulista.