Escritório que aplicava golpes de falso empréstimo tinha classificação sobre alvo: 'Já foi vítima'

A Polícia Civil prendeu nove pessoas em flagrante por associação criminosa no Centro de São Gonçalo nesta segunda-feira, após ter sido informada pelo Disque Denúncia sobre o funcionamento de uma empresa de fachada. O grupo aplicava golpes do falso empréstimo em aposentados e pensionistas. No local, a 500 metros da prefeitura da cidade, a estrutura contava com computadores e fones de ouvido, além de anotações sobre as pessoas lesadas pelo suspeitos. Uma delas era descrita como "Já foi vítima de golpe".

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Localizado na Rua Coronel Moreira César, no Centro de São Gonçalo, o local encontrado pela Polícia Civil tinha cadastros que detalhavam o histórico de seus alvos. Além de nome completo, CPF e número do telefone, a informação se já tinha sido vítima de golpe constava abaixo das anotações.

Os agentes também recolheram anotações que detalhavam a movimentação financeira, além de um "passo a passo" de como os atendentes deveriam agir para conseguirem convencer as vítimas a aceitarem os empréstimos.

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Como funcionava o golpe

O passo inicial era consultar um banco de dados de clientes bancários, a partir de onde analisavam empréstimos e margem disponível. Em seguida, por meio de uma ligação por telefone, oferecia às vítimas supostas vantagens: uma delas poderia ser o refinanciamento do valor do empréstimo, com juros menores, e valores menores por parcelas.

No entanto, os valores não eram creditados na conta das vítimas. Caso fossem, elas aceitavam devolver boa parte do valor, de modo que a empresa pagaria as parcelas seguintes. Após os primeiros pagamentos, as prestações deixavam de ser pagas e a vítima ficava com a dívida.

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Outros casos

Na última quarta-feira, quatro mulheres suspeitas de praticar golpes por telefone foram presas por agentes da 35ª DP (Campo Grande). Os policiais civis localizaram um escritório, situado na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, que oferecia, em call center próprio, a devolução de até 40% de empréstimo pré-existente caso o cliente optasse pela portabilidade do empréstimo. Por telefone, as criminosas induziam as vítimas a fechar negócio.

No dia 7 deste mês, 31 pessoas foram presas por participarem de uma organização criminosa especializada em aplicar golpes relacionados a empréstimos consignados. O grupo usava um call center, localizado no Centro do Rio, para fazer contato e convencer as vítimas a realizar as transações bancárias fraudulentas. Os presos tiveram que ser levados para a sede da Polinter num ônibus.

Além desses 31 falsos “agentes financeiros” presos, os policiais encontraram no local mais 13 pessoas que estavam em treinamento para trabalhar no call center. Esse segundo grupo não foi preso e seus integrantes são tratados como “investigados”.

No local, os policiais encontraram e apreenderam centenas de cadernos com dados pessoais e bancários das muitas vítimas espalhadas por todo o país, bem como registros das fraudes já realizadas. Também foram confiscados dezenas de computadores e centenas de contratos formalizados. Após a ação policial a sala onde funcionava o call center foi lacrada.