Delator da Cambridge Analytica garante que dados do Facebook foram utilizados

Londres, 27 mar (EFE).- Christopher Wylie, um dos cérebros e fundadores da Cambridge Analytica, a companhia que está por trás do uso de dados de milhões de usuários do Facebook, disse nesta terça-feira que é "categoricamente incorreto" afirmar que a empresa britânica nunca utilizou informações extraídas da rede social.

O técnico em informática compareceu no Comitê de Assuntos Digitais, Cultura, Meios de Comunicação e Esportes da Câmara dos Comuns, a fim de responder às perguntas dos deputados com relação ao vazamento em massa de dados do Facebook.

Durante sua intervenção, Wylie qualificou de "excepcionalmente enganosas" as declarações feitas previamente nesse mesmo comitê parlamentar pelo ex-executivo-chefe da Cambridge Analytica, Alexander Nix, que negou o uso dessas informações por parte da companhia.

Segundo Wylie, os dados contidos na rede social foram precisamente a "base" sobre a qual se apoiaram os algoritmos utilizados pela empresa britânica e, por isso, o técnico insistiu que as palavras do ex-executivo foram "desonestas".

Nix compareceu em duas ocasiões ao parlamento britânico depois que em sua primeira intervenção - em 27 de fevereiro - foram detectadas "várias inconsistências" dentro da investigação sobre a propagação de notícias falsas ('fake news') que o citado comitê iniciou em novembro do ano passado.

O ex-diretor da Cambridge Analytica foi suspenso de suas funções após a revelação de que a empresa estava por trás do vazamento de dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook, que teriam sido utilizados pela campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nix afirmou então que "não trabalhava com informações do Facebook" e que sua companhia não tinha recebido informação do Global Science Research, o aplicativo utilizado pela empresa de consultoria para coletar o material da rede social.

Hoje, Wylie explicou que sua "principal motivação" para falar sobre este assunto é, em parte, sua preocupação ao ver que técnicas desenvolvidas para uso militar estão sendo usadas para influenciar processos eleitorais.

O especialista em informática admitiu que lhe incomoda o fato de a Cambridge Analytica se dedique a "minar instituições" mundiais, algo que equiparou ao "colonialismo da era moderna".

Wylie também afirmou que quis testemunhar sobre o escândalo ao refletir que seu trabalho tem "um impacto mais amplo" do que ele inicialmente acreditava.

"Como cidadão, você tem a obrigação de informar sobre qualquer atividade ilegal. Não diria que (faço isso) só por Donald Trump ", disse o técnico em informática, que acrescentou que o assunto ganhou ainda maior relevância por se tratar do presidente dos Estados Unidos.

O escândalo sobre o vazamento em massa de dados de usuários do Facebook foi revelado por diversos meios de comunicação, que assinalaram que a Cambridge Analytica desenvolveu um software com base nessas informações e, com isso, pôde impulsionar a campanha eleitoral do então candidato republicano à presidência dos Estados Unidos. EFE