Escultura hiper-realista de Pablo Picasso vira cenário para selfies em feira de arte em Madri

A trégua imposta pela pandemia renovou o cenário da feira e o olhar dos visitantes. Tem mais tinta, mais cor, mais diversidade e mais tênis. Nos pavilhões de Madrid, vale tudo. A coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (22) foi rápida e não houve perguntas. Mas ficou claro que o diretor da Arco, feira internacional de arte realizada anualmente em Madri, se preocupa com a América Latina. Galerias de Argentina, México, Peru e Guatemala têm localização privilegiada, curadoria própria e uma proposta nova e vigorosa.

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No entanto, na inauguração, reservada para colecionadores e profissionais, o que chamou atenção foi uma escultura hiper-realista, ao estilo Ron Mueck, de Pablo Picasso. Reclinada e com uma lápide incluída, a escultura estava à venda na galeria ADN por € 45 mil. Virou cenário obrigatório para selfies do público e causou escândalo no ano em que se recorda os 50 anos da morte do pintor malaguenho. Já há algum tempo algumas galerias usam essa estratégia para atrair compradores. Se há uma década o que causou impacto em Arco foi a obra "Franco na geladeira — Sempre Franco —" , do madrilenho Eugenio Merino, agora é a vez da escultura de Picasso, de autoria do mesmo artista.

A escultura funciona como a banana de Mauricio Cattelan colada na parede da Art Basel Miami em dezembro de 2019. Três vezes mais cara, a fruta foi parar no Guggenheim e depois vendida por US$ 120 mil. Claro, Madri não é Miami, nem a Arco é Art Basel, mas em todas as latitudes um bom escândalo funciona como ímã.

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Os galeristas estão satisfeitos com as vendas, embora esteja difícil encontrar comprador disposto a desembolsar € 2 milhões por uma tela do pintor catalão Joan Miró, a obra mais cara desta 42ª edição da Arco. No que se refere à pintura, há de tudo e para todos os gostos: paisagens multicoloridas da argentina Florencia Böthlingk; painéis listrados do espanhol Juan Usslé (€ 120 mil); e um tapete de veludo que sofreu uma intervenção do alemão Thomas Ruff. O espanhol Jaume Plensa e o suíço Ugo Rondinone estão entre os 10 artistas mais procurados, junto com islandês-dinamarquês Olafur Eliasson, o americano Tony Ousler e os argentinos Tomás Saraceno, Sofía Durrieu Lucio Fontana e Sara Grilo, que tem uma tela à venda por € 85 mil.

Nesta quinta-feira (23), ocorreu a inauguração oficial da feira, com a presença do rei e da rainha da Espanha.