Espanhóis assassinados em Burkina Faso eram repórteres experientes

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Soldados de Burkina Faso em patrulha, em setembro de 2015

Os dois jornalistas espanhóis mortos em um ataque em Burkina Faso, David Beriáin e Roberto Fraile, eram dois experientes repórteres reconhecidos por seus colegas, que viajavam regularmente para áreas consideradas complicadas.

Nascido em 1977, segundo a mídia espanhola, David Beriáin, loiro e com barba, trabalhou na rede de notícias espanhola CNN+, propriedade em parte da CNN, e que deixou de existir em 2010.

Cofundador e codiretor da "93metros", produtora que fazia principalmente documentários, se autodefinia no site da empresa como um "jornalista especializado em conflitos armados, violência e jornalismo de imersão".

Originário de Pamplona, capital da região de Navarra (norte), segundo a ministra das Relações Exteriores espanhola, Arancha González Laya, trabalhava com frequência com Roberto Fraile, natural de Baracaldo, País Basco (norte).

Fraile, um cinegrafista de 47 anos, trabalhou "até recentemente" no canal de televisão da região de Castela e Leão, CyLTV, segundo um tuíte publicado pela emissora de televisão, junto com fotos em que o profissional era visto por trás de sua câmera.

De acordo com a imprensa espanhola, Roberto Fraile foi ferido no final de 2012 na Síria, quando viajava com soldados do Exército Livre Sírio para reunir material para uma reportagem.

- "Perda irreparável" -

"Eles estavam em Burkina Faso há pouco tempo", trabalhando em um documentário sobre caça ilegal, relatou Adriano Morán, co-diretor e cofundador da produtora "93Metros", à televisão pública TVE.

"Era um trabalho complicado, ambos sabiam que era difícil e havia uma chance de isso acontecer, e o pior aconteceu", acrescentou.

David Beriáin, "um dos grandes jornalistas deste país e deste planeta", reconhecido pelos seus colegas, segundo Morán, "sempre disse que tinha muito medo, mas isso não o impedia de ser mais corajoso do que qualquer outro".

"Atrás dele estava a força da curiosidade e da bondade humana, era uma pessoa gentil e estava convencido de que, contando com olhos claros o que via, seria capaz de mudar as coisas", continuou Morán.

"Ele era capaz de mostrar a um pistoleiro ou um grande assassino que era empático com eles e compreendia sua situação até certo ponto", explica.

Beriáin tinha, segundo Morán, um telefone via satélite, mas eles não se comunicavam porque o repórter gostava de ser indetectável: "Ele estava disposto a ficar sem cobertura e fazer o que fazia, o que fazia melhor do que ninguém".

Em nota, Alfonso Armada, presidente da organização Repórteres Sem Fronteiras na Espanha, lamentou a "perda irreparável para o jornalismo mais inquieto e dinâmico, aquele que entra em cena, suja os sapatos de lama, conta a realidade de perto e em toda sua complexidade".

"Os documentários que produziram ao longo dos anos inspiraram muitos colegas e jovens jornalistas", acrescentou.

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