Espanha anuncia que diminuirá sua representação diplomática na Venezuela

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Membros do Serviço de Inteligência Nacional Bolivariano em frente à embaixada da Espanha em Caracas, em 24 de outubro de 2020
Membros do Serviço de Inteligência Nacional Bolivariano em frente à embaixada da Espanha em Caracas, em 24 de outubro de 2020

A Espanha será representada na Venezuela por um encarregado de negócios e não por um embaixador, já que questiona a legitimidade do governo de Nicolás Maduro, informou a diretora para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores, Cristina Gallach, nesta quinta-feira (29). 

O anúncio foi feito após a chegada do líder oposicionista Leopoldo López à Espanha no último domingo, que fugiu da Venezuela após ter se refugiado por 18 meses na residência do embaixador espanhol Jesús Silva, acusado por Maduro de ter sido "cúmplice" da fuga. 

Assim que Jesús Silva finalizar sua missão em Caracas nos próximos dias, será substituído por um "encarregado de negócios (porque) o reconhecimento dado às atuais" autoridades venezuelanas não permite "a apresentação formal de uma petição de placet" para um novo embaixador, anunciou Gallach no Congresso dos Deputados. 

"Esta fórmula que escolhemos é uma fórmula acordada com todos os parceiros europeus, mas que de forma alguma a impede (o novo representante espanhol) de cumprir as suas funções", afirmou Gallach.

A Espanha faz parte dos cinquenta países que reconhecem Juan Guaidó, chefe do Parlamento venezuelano, como presidente interino. 

O fato de Leopoldo López - condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão por incitar à violência em protestos contra Maduro - ter escapado e se refugiado na residência de Silva irritou Maduro, que na última quarta-feira chamou o embaixador espanhol de "colonialista, racista, golpista". 

Gallach informou que Madri enviou ao governo de Maduro uma "nota verbal muito clara" em protesto "aos insultos ao nosso embaixador" desde a saída de López do país. 

A funcionária insistiu que Madri deseja para a Venezuela "processos eleitorais presidenciais e legislativos democráticos que manifestem a vontade do povo", como forma de resolver a grave crise em que se encontra o país sul-americano. 

"A parte mais complicada da Venezuela continua sendo avançar em direção de uma negociação política entre os líderes venezuelanos", reconheceu a ministra das Relações Exteriores, Arancha González, na última quarta-feira, em encontro com correspondentes estrangeiros.

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