Espanha prende um dos principais criminosos vinculado à lavagem de dinheiro na Europa

A polícia espanhola prendeu nesta quinta-feira em Málaga (sul do país) um dos principais nomes do crime de lavagem de dinheiro na Europa, suspeito de lavar com seus colaboradores mais de 200 milhões de euros em pouco mais de um ano, anunciou a Europol.

O suspeito, de origem irlandesa e vinculado ao clã Kinahan, foi detido na segunda-feira após uma operação internacional liderada pela Guarda Civil espanhola, informou a Europol em um comunicado.

"Dois sócios dele também foram detidos na Espanha e um no Reino Unido", em uma operação que incluiu 11 ações de busca e apreensão nos dois países", acrescentou a Europol.

A organização não divulgou o nome do principal suspeito, mas uma fonte próxima à investigação e a imprensa irlandesa o identificaram como John Francis Morrissey, de 62 anos.

De acordo com as mesmas fontes, Morrissey "e seus sócios reuniam grandes quantias de dinheiro em espécie de organizações criminosas, que depois 'entregavam' a outras organizações criminosas em outros países".

"Durante a investigação, que durou um ano e meio, acredita-se que os suspeitos lavaram mais de 200 milhões de euros", usando um método informal de transferência de capital conhecido como 'hawala', segundo a Europol.

O principal suspeito era "um de nossos alvos de alto escalão", afirmou Claire Georges, porta-voz da Europol.

"Ele foi detido após uma investigação complexa", acrescentou.

A operação teve a participação de agentes britânicos, irlandeses e holandeses, informou a Europol.

Em abril, o principal suspeito detido em Málaga e seus sócios foram afetados por sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por fornecer apoio ao clã Kinahan, de origem irlandesa e considerado um grupo criminoso transnacional.

O Departamento do Tesouro afirmou que Morrissey teria ajudado no envio de drogas procedentes da América do Sul para a organização.

Contratado como "embaixador da marca" para a Nero Drinks, uma empresa britânica de vodca, Morrissey estava "muito envolvido na empresa", acrescentou.

O detido deu "uma parte significativa do negócio a Daniel Kinahan para compensá-lo pela droga apreendida pelas forças de segurança", afirmou o Departamento do Tesouro.

Segundo a Europol, os principais membros da organização criaram uma marca de vodca que promoviam em bares e estabelecimentos da Costa do Sol para "ocultar a origem dos seus lucros".

"Um dos suspeitos detidos administrava uma concessionária de automóveis e era responsável por fornecer veículos à organização criminosa, nos quais havia introduzido compartimentos secretos para transportar grandes quantias em dinheiro sem que fossem detectadas", acrescentou a organização.

A detenção aconteceu depois que a polícia espanhola abriu uma investigação no ano passado após a apreensão de 200 quilos de cocaína e 500.000 euros em espécie, colocados em compartimentos ocultos em carros usados pelo grupo criminoso.

O caso foi rapidamente levado à Europol devido ao seu alcance internacional.

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