Espanha prorrogará até 25 de abril confinamento por coronavírus

Presidente espanhol, Pedro Sánchez, em sua cadeira no Congresso dos Deputados, durante sessão para explicar a declaração do estado de emergência pelo coronavírus, em 18 de março de 2020, em Madri

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou neste sábado (4) que prorrogará por mais duas semanas, até 25 de abril, as medidas de confinamento da população aplicadas desde 14 de março para conter a epidemia do coronavírus.

"O Conselho de Ministros da próxima terça-feira solicitará, de novo, a autorização do Congresso dos Deputados para prorrogar, pela segunda vez, o estado de emergência de 12 de abril até as 24 horas de sábado de 25 de abril", declarou Sánchez, no pronunciamento transmitido pela televisão.

"Com todas as cautelas, consideramos que é o tempo de que nosso sistema de saúde precisa para se recuperar", alegou.

"É um sacrifício enorme, mas é necessário para poder vencer definitivamente o vírus", reconheceu Sánchez.

"Uma vez superado o pico da propagação do vírus, estamos em condições de dobrar a curva da epidemia", mas "para alcançar esse novo objetivo precisamos de um pouco mais de tempo e precisamos, sobretudo, manter esse esforço coletivo", insistiu.

De acordo com o balanço deste sábado, a Espanha já registrou 11.744 mortos pelo coronavírus, o segundo país com maior número de óbitos do mundo (atrás apenas da Itália) e com quase 125.000 casos diagnosticados.

A prorrogação do estado de emergência permite adotar medidas severas na luta contra a COVID-19. Deve ser ratificada na próxima semana pelo Congresso, onde o governo conta, em tese, com o apoio do principal partido da oposição, o conservador Partido Popular.

Desde a entrada em vigor do estado de emergência, os quase 47 milhões de espanhóis vivem confinados em suas casas. Estão autorizados apenas a irem trabalhar, na impossibilidade de fazê-lo de forma remota, ou sair para realizar atividades básicas, como comprar comida, ou remédios.

As restrições se endureceram a partir de 30 de março, quando o governo decretou a paralisação de toda a atividade econômica não essencial até 9 de abril.

- 'Luz no fim do túnel'

"Estas três semanas de isolamento coletivo estão dando resultado", afirmou Sánchez, destacando que as medidas permitiram "deter a propagação do vírus", "conter a avalanche sobre os hospitais" e "multiplicar as altas" de pacientes.

Os balanços diários divulgados pelo Ministério da Saúde esta semana mostraram como, em termos percentuais, tanto o número de mortos quanto o de casos diagnosticados se reduziam paulatinamente, passando de aumentos acima de 20% até algo em torno de 10%.

Ainda assim, nesta semana, foram vividas "as horas mais obscuras", reconheceu Sánchez, com 950 mortes diárias na quinta-feira.

Ontem e hoje, houve queda, e os 809 mortos anunciados neste sábado representam o melhor número em oito dias.

Em termos absolutos, porém, a Espanha teve os piores registros desde o início da epidemia, com balanços diários de cerca de 800 mortos por coronavírus.

"Começamos a ver luz no fim do túnel", mas "não podemos nos dar ao luxo de dar um passo atrás", insistiu Sánchez, advertindo que a suspensão das sanções a partir de 25 de abril acontecerá de forma muito escalonada.

A principal preocupação continua sendo evitar a saturação dos hospitais, especialmente em regiões fortemente impactadas como Madri e Catalunha, e adquirir material médico suficiente para combater a epidemia.

No hospital de campanha do pavilhão de congressos IFEMA de Madrid, cada alta é celebrada com aplausos.