Espanha se prepara para o pior momento da epidemia

Polícia fala com uma mulher usando máscara e luvas como equipamento de proteção em Madri

A Espanha se preparava nesta quinta-feira (19) para enfrentar o que virão a ser "os piores dias" da epidemia de coronavírus, que ainda está em expansão no país, recebendo reforços de milhares de profissionais da saúde, armazenando material de proteção e adaptando hotéis para receber pacientes.

Depois de cinco dias com o país em quarentena, o número de infectados e mortos segue aumentando. Somente nas últimas 24 horas, as mortes pela Covid-19 aumentaram em quase 30%, saltando de 598 a 767, e os casos detectados em 25%, de 13.716 a 17.147.

Com esses números divulgados nesta quinta pelo ministério da Saúde, a Espanha aparece muito próxima do Irã, o terceiro país do mundo com mais infectados depois da China e da Itália.

"Os dias mais difíceis estão chegando (...). Continuaremos vendo um aumento no número de casos, e isso será assim enquanto não nos aproximarmos do pico da curva" de contágios, reconheceu em uma coletiva de imprensa o ministro da Saúde, Salvador Illa.

É previsto um salto importante nos próximos dias, quando as autoridades começarem a fazer testes rápidos em todas as pessoas suspeitas, que até agora não eram possíveis pela falta de material de detecção suficiente.

Entre as medidas usadas para frear a expansão do vírus, o governo ordenou nesta quinta o fechamento de todos os hotéis no país, segundo destino turístico internacional, segundo o Boletim Oficial.

- Exército de saúde -

Diante do aumento no número de casos, o ministério incorporou um contigente de milhares de funcionários da área da saúde, entre estudantes de medicina e enfermagem dos últimos períodos, médicos que estão fazendo residência e enfermeiros formados que não conseguiram vagas no sistema público de saúde.

"Mais de 30 mil profissionais estão à disposição e foram incorporados aos poucos ao Sistema Nacional de Saúde", disse o ministro, que também inclui a recontratação de 14.000 médicos e enfermeiros aposentados.

A Ordem dos Médicos denunciou nesta quinta uma situação "insustentável" para os profissionais da área, submetidos a longas jornadas de trabalho e às vezes sem material de proteção adequado, com informaram em comunicado.

Nesta quinta ocorreu a primeira morte de um trabalhador da área da saúde na Espanha desde o início da pandemia, uma enfermeira de 52 anos.

Para tentar resolver a falta de material, o ministério, com a ajuda das forças policiais, conseguiram reunir 1,5 milhão de máscaras, além de outros itens de saúde.

A ajuda chega também do setor privado. Na região de Valença, costureiras do pequeno povoado de Pedrel costuraram 10.000 máscaras, e uma empresa de moda juvenil interrompeu a sua produção habitual para fazer o mesmo.

Segundo a imprensa espanhola, o grupo Inditex, proprietário da marca Zara, também planeja fabricar máscaras e roupas de proteção. Em Barcelona, a empresa BCN3D ofereceu suas 63 impressoras 3D para confeccionar material.

- Residências de idosos -

Embora o país disponha de um sistema de saúde avançado, a epidemia do coronavírus pode ameaça-lo. Dos seus mais de 4.000 leitos de UTI, 939 já estão ocupados por pacientes com essa doença.

A situação é especialmente crítica na região de Madri, principal foco de contágio, concentrando 40% dos infectados e 65% das mortes no país por causa da pandemia.

O governo anunciou um fundo de € 300 bilhões em apoio aos idosos e a criação de residências maiores depois de que vários deles faleceram nos lares de cuidado.

"Temos problemas nas residências (de idosos), e isso nos obrigará a adotar uma ordem muito estrita" sobre o funcionamento desses lares que deverá ser publicada na próxima sexta, disse Fernando Simón.