Especial ‘Juntos a magia acontece 2’ discute desafio das mães solo, sensibilidade masculina e protagonismo negro

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A família Silva está de volta no especial de Natal “Juntos a magia acontece 2”, sequência do longa de 2019 que conquistou o Leão de Ouro do Festival Internacional de Criatividade de Cannes de 2021 ao retratar o primeiro Papai Noel negro da televisão brasileira (vivido por Milton Gonçalves).

Sem neve e renas de nariz vermelho, o longa criado e escrito por Cleissa Regina Martins (“As five”), com direção artística de Patricia Pedrosa ("A grande família") e direção de gênero de José Luiz Villamarim ("Avenida Brasil"), traz às telas a realidade brasileira. Entre as histórias que embalam a obra, está o desafio da mãe solo Solange (Jéssica Ellen) e seu filho Caio (Pedro Guilherme), que sonha em conhecer o pai biológico.

—É complicado falar de família porque estamos desconstruindo a ideia tradicional e vendo novas formações, mas ainda não vimos tão bem representada na TV uma família negra da periferia. Queríamos tratar de questões que atravessam toda a sociedade e trazer esperança, sem cair em estereótipos — aponta Cleissa, revelada pela primeira turma do Laboratório de Narrativas Negras, parceria entre a Globo e a Festa Literária das Periferias.

O longa também acompanha os dilemas do casal Vera (Heloisa Jorge), que acaba de receber uma boa proposta no trabalho, e Jorge (Luciano Quirino), que tenta convencê-la a ter mais um filho, e de André (Fabrício Boliveira), que consegue alcançar o sucesso profissional, mas se vê afastado da família e à beira de um burnout.

—O especial leva essa questão de um jeito bem leve e divertido, mas explicita esse dilema moderno do poder do celular e do excesso de trabalho no nosso cotidiano, que vem causando doenças —conta Fabrício Boliveira —Outro tema em pauta é a sensibilidade masculina. Os homens, em geral, são pouco vasculhados interiormente, há poucas possibilidades de reflexão sobre seu machismo. E o homem negro ainda tem que lidar com o racismo como empecilho para liberdade de suas emoções. Dar espaço a essas contradições é um grande trunfo.

Apesar das temáticas sérias, Cleissa garante que o novo longa tem uma carga mais leve, “porque estamos precisando disso” — O filme mostra como as comunidades podem se apoiar nos momentos difíceis e celebrar junto as conquistas. O brasileiro é muito isso. Estamos em um momento de questionar os papéis que a gente sempre viu e pensar em novos caminhos. Torço para que as pessoas assistam e conversem em suas casas sobre o que elas podem fazer para mudar —diz a autora.

O longa, que conta ainda com os atores mirins Gabriely Mota, Alice Apolinário, Ana Clara Couto, Gustavo Costa e Ícaro Zulu vai ao ar neste domingo (19), às 14h15, depois de “Temperatura máxima”, na programação de fim de ano da TV Globo.

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