Especialista alerta para a disseminação de sarampo no presídio Ary Franco

Leonardo Sodré
Fachada do Presídio Ary Franco, em Água Santa

Com a possível confirmação de casos de sarampo no presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, onde Dezessete detentos estão em quarentena por suspeita de terem contraído a doença, o infectologista Edmilson Migowski alerta para os alto risco de disseminação do vírus na unidade. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) ainda aguarda o resultado dos exames e as condições do local são um forte agravante, segundo o especialista.

— O maior problema é o quadro de risco de uma população confinada em área de aglomeração, com pouca ventilação e a contaminação de uma doença de grande transmissibilidade, o que é o caso do sarampo, em que e uma pessoa infectada pode transmitir para até outras 19 pessoas. Isso, em um local onde medidas de higiene pessoal são quase impossíveis. Se compararmos à tuberculose, onde temos cerca de 3 mil casos por 100 mil presos, no Brasil, por ano, o sarampo tem uma disseminação mais forte — alerta Migowski.

Um dos detentos suspeitos de estar com a doença teve contato com presos de uma galeria. Por conta disso, outros 292 presos estão em isolamento no Ary Franco. De acordo com a Seap, os detentos estão sendo monitorados. Os casos suspeitos aguardam análise do Laboratório Central Noel Nutels (Lacen).

O infectologista Edmilson Migowski diz que a forma mais eficaz de conter a doença é a vacinação, não só dos detentos, mas também dos agentes penitenciários e dos visitantes.

— Se por um lado, tem o risco de transmissão, tem a possibilidade de fazer uma vacinação de bloqueio. A população dentro do presídio tem menos de 60 anos que é a idade em que está sendo promovida a vacinação pelo governo. A população carcerária é contemplada na campanha de vacinação de gripe porque tem maior potencial de contaminação e isso também deve ser considerado para o sarampo. Uma boa alternativa é montar um posto de vacinação na porta do presídio e exigir a vacinação de todos que entrem lá. Diferente de outras doenças, na do sarampo se a vacinação for feita em até até três dias após a contaminação as chances de eliminar o vírus e não contrair a doença são grandes — explica.