Especialista da ONU acusa Irã de mentir sobre avião ucraniano abatido

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Mulher chora diante do mural em homenagem às vítimas da queda do avião ucraniano ocorrida um ano antes no Irã, em 8 de janeiro de 2021, em Kiev

Uma funcionária da ONU acusou nesta terça-feira (23) o Irã de mentir sobre como abateu um avião ucraniano perto de Teerã no ano passado, em um momento de alta tensão com os Estados Unidos.

Em 8 de janeiro de 2020, o voo PS752 da Ukraine International Airlines caiu logo após decolar de Teerã, a capital iraniana, matando todas as 176 pessoas a bordo, incluindo 55 canadenses.

A República Islâmica admitiu três dias depois que suas forças haviam derrubado por engano o Boeing 737-800 com destino a Kiev após lançar dois mísseis.

Agnes Callamard, relatora especial da ONU para execuções extrajudiciais, apresentou os resultados de uma investigação sobre a tragédia e afirmou que a explicação iraniana do ocorrido é cheia de contradições.

"O mais preocupante é que as explicações das autoridades iranianas sobre o erro ou erros cometidos não batem", disse ela a repórteres.

Segundo Callamard, a versão do Irã não é compatível com "os fatos, os relatórios técnicos de vários especialistas". "Por que o Irã está mentindo?", questionou.

A especialista apontou que o Irã não explicou como seus militares podem ter cometido um erro tão grave como abater um avião comercial com passageiros.

Ela afirmou que é possível "matar por engano" e que a Justiça deve determinar se o erro foi cometido de boa fé. "Minha conclusão é que, com base no direito internacional, o erro não é uma defesa para o Irã", declarou.

De acordo com a relatora, o Irã não respondeu suas perguntas para a investigação.

Especialistas da ONU como ela estão associados ao Conselho de Segurança, mas esse órgão não precisa necessariamente se guiar por suas conclusões.

As tensões entre o Irã e os Estados Unidos estavam escalando quando o avião ucraniano caiu.

As defesas aéreas iranianas ficaram em alerta máximo para uma possível resposta dos EUA depois que Teerã lançou mísseis contra uma base militar no Iraque, usada pelas forças da potência norte-americana.

Esses mísseis foram disparados em resposta ao assassinato do general Qasem Soleimani, que chefiava a divisão de operações estrangeiras da Guarda Islâmica Revolucionária, em um ataque com drones dos EUA perto do aeroporto internacional de Bagdá.

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