Especialista diz que aumento da média móvel de casos não é surpresa e alerta que Rio pode chegar à situação atual da Europa

Arthur Leal
·3 minuto de leitura

Diante do aumento brusco na média móvel de casos do novo coronavírus no Rio, que cresceu 106% após os dados divulgados nesta sexta-feira, o sanitarista e professor do Instituto de Medicina da Uerj Mario Roberto Dal Poz faz um alerta: o estado pode chegar à situação alarmante que a Europa tem enfrentado, com a segunda onda de Covid-19 se espalhando pelo continente.

Nesta sexta-feira, 30, o Estado do Rio registrou 103 mortes e 1.479 novos casos, somando 309.796 infectados e 20.565 mortes. A média móvel de mortes indica estabilidade no contágio da doença pelo quinto dia seguido, mas a média móvel de casos aponta para um cenário preocupante, com um aumento de 106% no número de diagnósticos confirmados no estado. Com os novos dados, as médias móveis passam a ser de 64 mortes e 1.813 casos por dia. A de mortes registra um aumento de 4% na comparação com duas semanas atrás, o que indica estabilidade por estar abaixo de 15%. A de casos, por sua vez, mais que dobrou na comparação com 14 dias atrás — chegando aos 106%.

Leia também

— É algo preocupante, porque se você aumenta o número de casos, mesmo testando tão pouco, e tem um platô como esse no número de mortes, pode-se chegar à situação em que a Europa está passando agora (de voltar ao lockdown) — alerta Dal Poz.

Entre os dias 12 e 16 de outubro (segunda a sexta-feira), foram 5.765 casos confirmados em cinco dias no Estado do Rio. Nesta semana, entre os dias 26 e 30 de outubro, o número já chega a 10.116.

Para Dal Poz, a situação não surpreende. Sagundo ele, até a forma como vêm sendo feitas as campanhas eleitorais nas ruas é algo que pode estar influenciando nos números:

— Temos algumas razões óbvias para esse aumento. Na medida em que se reabre escolas, cinema, atividades econômicas, é esperado que se tenha um aumento na transmissão da doença. As pessoas passam a pegar mais transportes públicos, se expõem mais ao risco. Isso não é uma surpresa. Enquanto a permanência nas praias, a céu aberto, está proibida, os espaços fechados vêm sendo liberados. É algo equivocado, ao meu ver. Mesmo com todos os cuidados, a possibilidade de contaminação é sempre maior em ambientes fechados. E a campanha eleitoral é algo que também não tem ajudado. Pelo que pude observei, estão sendo promovidas aglomerações.

Segundo ele, o maior conhecimento sobre a doença ajuda a explicar por que o número de mortes vem oscilando menos que o de casos:

— Felizmente, o número de mortes não tem acompanhado o aumento do número de casos. Hoje, do ponto de vista médico hospitalar, nós já temos um conhecimento maior sobre a doença, e os casos ou tem evoluído de forma menos grave ou os profissionais estão mais preparados para lidar com as complicações. Mas nós estacionamos num patamar muito elevado de mortes ainda.

A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por EXTRA, O Globo, G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e UOL, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.