Especialista em gestão de risco diz que hospitais devem ter plano de escape e equipes treinadas para casos de incêndio

Geraldo Ribeiro
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Incêndio atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso nesta manhã
Incêndio atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso nesta manhã

Doutor em gerenciamento de risco pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), Gerardo Portela diz que hospitais precisam ter um plano de escape e abandono, com definição prévia de rotas de socorro, para colocar em prática em caso de incêndios como o que atingiu na manhã desta terça-feira o Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. O especialista defende ainda que as equipes devem estar bem treinadas para essas emergências, além de se submeter a simulações ao menos uma vez no ano.

— O sistema que mais salva vidas num caso de incêndio é o de escape e abandono. É um conjunto de rotas principais e secundários para fugir do local do incêndio e alcançar uma área segura. É preciso ter a identificação de pontos de encontros, que são locais já dimensionados para receber as pessoas. No caso de hospitais, tem de ser um local especial com condições mínimas para manter os equipamentos de sobrevivência dos pacientes mais graves — explicou o especialista.

Segundo Portela, as pessoas que têm dificuldade de locomoção devem ficar internadas numa posição do hospital mais próxima possível do térreo, para facilitar a saída em caso de emergência, sem depender de elevadores ou escada. Neses casos estão incluidos pacientes das UTIs e os centros cirúrgicos. Essas medidas, aliadas ao treinamento constante das equipes podem minimizar os efeitos de um incêndio, afirma.

—Todo um plano de escape e abandono deve ser estabelecido em qualquer grande local onde pessoas trabalham, moram ou convivem. Mas, no caso de um hospital, esse plano é crítico porque as pessoas já estão limitadas na sua locomoção. Por isso é necessário, além de fazer o plano, ter um treinamento e uma simulação de escape e abandono pelo menos anual para os funcionários entenderem e terem mentalizado o que devem fazer num caso de emergência.

Portela aponta ainda cuidados que devem ser tomados desde a construção das unidades.

—A questão da ventilação também deve ser tratada desde o projeto (de construção) para que a fumaça não venha a se espalhar por todo o hospital, principalmente considerando que em geral a fumaça mata primeiro, pelo monóxido de carbono.

A prevenção segundo ele, é fundamental para evitar as tragédias. Nesse caso, recomenda cuidados com a manutenção da parte elétrica e resposta imediata a um princípio de incêndio para que não ganhe outra proporção.