Especialista ressalta importância de fixar objetivos de redução de emissões

Caty Arévalo

Madri, 2 abr (EFE).- A diplomata francesa que dirigiu as negociações do Acordo de Paris sobre mudança climática, Laurence Tubiana, advoga para que os países tenho um objetivo de redução de emissões até 2050 já que, embora pareça um prazo longo, "essa data não está tão longe para os investidores".

Em entrevista à Agência Efe durante sua visita a Madri para se reunir com representantes de diversos âmbitos, Tubiana lembrou que essas estratégias de descarbonização até 2050 são um exercício que o Acordo de Paris convida os países a fazer, e que a própria Comissão Europeia pediu a seus membros para 2018.

Isso para que contem com uma ferramenta que determine se as decisões de investimento (em energia, transporte e agricultura) de curto e médio prazo estão em consonância com o objetivo de redução de emissões proposto a longo prazo.

Além disso, os investidores já contemplam cenários para 2030, 2040 e 2050, e necessitam de sinais do que vai ocorrer, para evitar ao mesmo tempo "os sobreinvestimentos que não são adequados", segundo a diplomata.

"É importante que as decisões a curto prazo estejam em consonância com o objetivo a longo prazo. Uma vez que se faz grandes investimentos em algo, é difícil mudar, e isso dificulta a transição porque já foi colocado o dinheiro em algo que quer amortizar, e cria-se uma rigidez quase não salvável", apontou Tubiana.

Tubiana preside uma plataforma lançada pelos países na passada cúpula do clima de Marrakech (COP22) para compartilhar conhecimento em torno de suas estratégias, com países como México, Brasil, Canadá, Estados Unidos, África do Sul, Reino Unido, França, Alemanha, China, Índia e Rússia, entre outros.

A especialista disse que 2017 é um ano "decisivo" para a luta contra a mudança climática e a transição energética, acreditando que das eleições da França e Alemanha deixarão a União Europeia "mais forte, com um coração de países decididos a avançar mais rápido" nesta matéria, algo que "nestes momento não é uma prioridade", reconhece.

"Se alcançarmos isso após as eleições alemãs, eu acredito que todo mundo está esperando que a UE lidere esta transição", segundo Tubiana, que acha que a Europa deve trabalhar em paralelo, cultivando uma relação com os grandes emissores (China e Índia) e com o resto de países em desenvolvimento da Coalizão pela Alta Ambição.

"Os Estados Unidos estavam muito comprometidos em desenvolver uma relação bilateral com esses países, e agora é Europa quem deve estar aí", insiste.

Envolvida nas negociações internacionais de mudança climática desde seus inícios, há mais de 20 anos, Tubiana está convencida de que "não se deve temer" que uma saída temporária dos Estados Unidos do Acordo de Paris possa levar a uma avalanche de países a seguí-lo, como já ocorreu com o Protocolo de Kyoto.

"O mundo é totalmente diferente hoje, Kyoto era algo entre a UE e EUA, com o Japão envolvido, enquanto o Acordo de Paris abrange todos os países e os maiores emissores, China e Índia, já disseram que continuarão", argumenta o diplomata francesa. EFE