Governo nega possível racionamento de energia

Brasília, 8 jan (EFE).- O ministro da Energia do Brasil, Edison Lobão, negou nesta terça-feira que exista a possibilidade de um racionamento de eletricidade no país, embora tenha admitido problemas devido à escassez de chuvas, que afetam as usinas hidrelétricas.

"Nenhuma possibilidade de racionamento. Nenhuma possibilidade de desabastecimento" de eletricidade, declarou Lobão a jornalistas, respondendo a rumores sobre uma possível apatia que, ontem, derrubaram as ações das empresas do setor na Bolsa de São Paulo.

O ministro admitiu, no entanto, que os problemas nas hidrelétricas, que geram quase 50% da energia consumida no país, podem afetar uma redução das tarifas de eletricidade que o governo tem prevista para o fim deste mês, mediante diversos incentivos fiscais.

A presidente Dilma Rousseff anunciou no ano passado que o preço da eletricidade para consumidores industriais e residenciais cairá a partir do fim deste mês em média 20%, visando, entre outras coisas, reduzir custos de produção e garantir mais competitividade às exportações nacionais.

No entanto, segundo cálculos da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), na atual situação um corte de tarifas dessa dimensão é "impossível".

Até agora, para atenuar as deficiências que a falta de chuvas geram nas hidrelétricas, o governo autorizou o uso de geradoras termoelétricas, que encarecem o preço da energia.

Lobão confirmou que amanhã se reunirá com diretores de empresas e organismos públicos do setor elétrico, a fim de discutir a situação, que diferenciou da crise sofrida pelo país em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando uma forte seca quase paralisou as represas hidrelétricas e levou o governo a impor um racionamento de energia.

O ministro reconheceu que a redução de tarifas prevista "talvez " precise ser adiada, mas assegurou que tentará manter os cortes anunciados no ano passado.

Os reservatórios de água nas hidrelétricas atualmente usam em média 30% de sua capacidade, um nível semelhante à situação vivida em 2001.

No entanto, embora a energia encareça, a capacidade das termoelétricas dobrou nos últimos dez anos, o que garantiria o abastecimento, informaram especialistas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). EFE

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