Especialistas apontam cuidados necessários durante viagens para regiões com paredões de rocha como em Capitólio (MG); confira

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O tombamento de parte de um cânion no lago de Furnas, em Capitólio (MG), na manhã do último sábado, é um alerta para que turistas evitem áreas com paredões rochosos em períodos de muita chuva e autoridades invistam em mapeamento de risco em áreas não habitáveis, apontam especialistas. Destinos paradisíacos, como os cânions da Serra Sul-Catarinense, das regiões do Rio São Francisco, e de praias do nordeste brasileiro estão entre as áreas que podem sofrer deslizamentos devido à ação da água e do vento. Confira cuidados necessários nestes locais.

De acordo com a professora do departamento de geografia da Universidade de São Paulo (USP), Bianca Carvalho Vieira, a principal observação que o turista deve fazer antes de planejar uma visita para áreas com presença de paredões rochosos muito fraturados, como os encontrado em Capitólio, é o volume de chuva. Uma dica é verificar em aplicativos de meteorologia o acumulado de chuva da região, sempre considerando, inclusive, outras áreas do estado atingidas pelas chuvas.

Edilson Pizzato, professor do Instituto de Geociências da USP, aponta que é essencial verificar se há ocorrências de tombamentos registrados e se o ambiente requer acompanhamento de um guia local credenciado.

No local é importante respeitar todas as sinalizações de risco (quedas, deslizamentos, desmoronamento, inundações, enchentes, entre outros) e nunca ultrapassar os limites apontados.

Algumas evidências da ocorrência de movimentos de rochas podem ser observados com a presença de inúmeros blocos, de diferentes tamanhos, que se descolaram no passado e estão localizadas na base das encostas. Contudo, é importante que os turistas não encostem nas paredes rochosas, a fim de evitar pressão externa.

Como grande parte dos tombamentos ocorrem devido à infiltração da água da chuva, é possível observar a presença de água nas fraturas dos paredões e a movimentação de pequenos fragmentos de rochas. Estes fatores podem deflagrar um movimento de massa gravitacional de maior magnitude e apontar um possível risco de deslizamento.

Vieira explica que os cânions, como os encontrados em Capitólio, são rochas com pré-disposição a desabamentos, fenômeno que é potencializado em períodos de chuva intensa.

— Quando há entrada excessiva de água, estas fraturas ficam encharcadas, o material amolece, perde coesão e sofre um rompimento — explica a geógrafa.

Ainda segundo a professora, o tombamento é um processo natural e um dos mais difíceis de se prever. Justamente por isso, é necessário manter uma vistoria constante voltada inclusive ao turismo e evitar o trânsito de pessoas e veículos em períodos de muita chuva.

— No Brasil, mapeamentos de risco são feitos quase que exclusivamente quanto há algum tipo de dano ao meio ambiente ou quando alguém morre. E a maioria está associada a deslizamentos de terras. Mas áreas turísticas também precisam de atenção, justamente por serem muito frequentadas em temporadas específicas. Essas rochas estão nos locais há milhões de anos, sofrendo erosão, então merecem atenção — aponta a professora.

Entre as recomendações de Pizzato está a implementação de sinalizações, com placas que alertem os riscos locais.

— É recomendável, por exemplo, se criar uma área de segurança, considerando a própria altura da encosta, para evitar que os turistas se aproximem e mantenham uma distância segura em caso de tombamento.

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