Especialistas atestam a eficácia da vacina da Pfizer contra Covid para adolescentes: ‘Os dados dão extrema segurança’

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O Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica recomendando que os adolescentes sem comorbidades não sejam mais vacinados contra a Covid-19. A nova abordagem, que contraria documentos anteriores da própria pasta, pegou de surpresa gestores, não teve o aval de técnicos do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e despertou críticas de especialistas e governantes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão federal que liberou a aplicação da vacina da Pfizer na faixa etária dos 12 aos 17 anos, afirmou que, por ora, não há evidências para rever essa autorização.

Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, alegou “falta de evidências” para seguir com a imunização de adolescentes. A pasta havia autorizado a inclusão dos menores de idade sem comorbidades na campanha de vacinação depois que toda a população adulta já tivesse sido atendida, assim como os menores de idade com comorbidades. Jovens de 12 a 17 anos já começaram a receber doses da Pfizer em diversas cidades do país. No Estado do Rio, por exemplo, 384 mil adolescentes já receberam a primeira dose da Pfizer. A prefeitura da capital fluminense anunciou que manterá hoje a vacinação dos meninos de 14 anos, como estava previsto, mas que o prosseguimento do calendário para os cariocas de 13 e 12 anos será avaliado.

Especialistas ouvidos pelo EXTRA afirmam que os adolescentes devem, sim, receber a vacina contra a Covid-19 nas cidades que mantiverem o calendário. Além do aval de segurança e eficácia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dado em junho para a faixa etária dos 12 aos 17 anos, a vacina da Pfizer foi testada em mais de 10 milhões de adolescentes em mais de 40 países, incluindo Estados Unidos, Israel e Inglaterra. E não há registros de problema grave nem morte. “Os casos de miocardite são leves, de fácil recuperação. A chance de uma criança ou adolescente ter, justamente, uma miocardite pela Covid é 30 vezes maior do que ter o problema provocado pela vacina”, afirma Salmo Raskin, médico geneticista e diretor do Laboratório Genetika. A infectologista Luana Araújo também tranquiliza os adolescentes e seus familiares: “Quem já vacinou não precisa se preocupar com absolutamente nada. Os dados dão extrema segurança”.

Especialistas afirmam que, havendo a segunda dose disponível, é para tomar, mas, como os adolescentes começaram a ser vacinados apenas em agosto, eles só retornarão aos postos a partir de novembro, já que a Pfizer é administrada com intervalo de três meses no Brasil. Até lá, a recomendação do Ministério da Saúde pode mudar. “É importante reforçar que se mantenham as outras prevenções, porque uma dose está longe de proteger”, afirma Luana Araújo. Pesquisas internacionais avaliam se uma dose não abre, inclusive, margem para uma meia proteção, que por sua vez pode aumentar o risco de surgimento de novas cepas. Por isso, é importante que os adolescentes sigam ainda mais as medidas contra a Covid, como distanciamento e uso de máscaras. “A Inglaterra decidiu avaliar qual a proteção que os adolescentes vão desenvolver no intervalo entre as doses. O Brasil poderia ter feito isso, dar uma dose para todos e daqui a 90 dias reavaliar. Durante a epidemia, muitas informações vão aparecendo com o tempo. Há vários trabalhos sendo feitos, e países como a própria Inglaterra, EUA, Israel e Canadá vão avaliar os dados dos vacinados”, diz Salmo Raskin.

Tanto Luana Araújo quanto Salmo Raskin recomendam que os adolescentes continuem a se vacinar onde isso for possível. “As evidências epidemiológicas internacionais mostram que é essa a conduta segura. No contexto brasileiro, em que há circulação viral incontrolável e introdução recente da variante Delta, não existe a possibilidade de o risco versus benefício das vacinas ser desfavorável”, avalia a infectologista.

O geneticista completa: “No Brasil, a taxa de mortalidade por Covid na população pediátrica é sete vezes maior do que nos Estados Unidos. Aqui, morreram 2.400 menores de 18 anos. Nos EUA, foram 400, e lá tem mais pessoas nessa idade do que aqui. Além disso, o número de brasileiros mortos por Covid-19 nessa faixa etária é maior do que o provocado por todas as doenças imunopreveníveis juntas. E ainda tem o papel coletivo: as crianças e adolescentes precisam retornar às escolas sem expor funcionários, professores ou familiares”.

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