Especialistas criticam censo da prefeitura com população de rua que deve embasar novo pedido de internações compulsórias

Lucas Altino
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Cena comum: pedinte em frente a uma sorveteria de Copacabana. Especialistas dizem que a proposta do município não é a solução
Cena comum: pedinte em frente a uma sorveteria de Copacabana. Especialistas dizem que a proposta do município não é a solução

Alegando que a quantidade de moradores em situação de rua cresceu e ajudou a disseminar a Covid-19 na cidade, o prefeito Marcelo Crivella anunciou nesta segunda-feira um censo da população que vive nas calçadas do Rio. O levantamento deverá embasar um novo pedido à Justiça de permissão para internações compulsórias. Em agosto, uma liminar impediu o município de fazê-lo, pois faltaram justificativas técnicas para a medida. Agora, além de associar os sem-teto a um suposto agravamento da pandemia, Crivella argumenta que eles vêm causando “constrangimento à população formal”. Para especialistas, no entanto, proposta não é a solução.

Segundo o sociólogo Leonardo Pinho, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos e presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental, estimativas dão conta de um aumento de 12% a 20% da população em situação de rua nas capitais do país. Ele vê, no discurso do prefeito, um alinhamento com o governo federal, que privilegia o investimento em comunidades terapêuticas, muitas delas geridas por entidades religiosas, para tratamento de dependentes químicos e de pessoas em situação de rua. Atualmente, essas unidades recebem um subsídio de mil reais mensais por cada interno.

— É uma utilização de pessoas hipervulneráveis para justificar recursos públicos a essas entidades. Vejo um discurso de cunho eleitoral, que pode agradar a parte da população que deseja ver as ruas “limpas” — criticou Pinho. — O investimento que vai para instituições privadas deveria ser usado no SUS, que já tem ferramentas para a assistência social.

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