Especialistas criticam a França por alerta contra anticoncepcionais

Pílulas anticoncepcionais, sem data

Especialistas em anticoncepção europeus e americanos criticaram, em artigo que será publicado esta terça-feira, o alerta lançado no começo do ano pela França sobre as pílulas de terceira e quarta geração, ao considerar que aumentariam o risco de trombose (formação de coágulos sanguíneos).

As autoridades sanitárias francesas se "sentiram obrigadas a reagir" sob pressão, criticaram os especialistas, para os quais "esta crise prejudicou a todos, especialmente às mulheres".

"O risco de morte por um acidente tromboembólico venoso é pequeno", ressaltaram estes 26 especialistas em ginecologia, obstetrícia e medicina reprodutiva em artigo divulgado no periódico Journal of Family Planning and Reproductive Health Care, uma das publicações online do grupo britânico British Medical Journal.

"O risco elevado de morte de uma mulher que toma uma pílula moderna é de um para 100.000, o que é menor do que o risco associado a atividades frequentes como o ciclismo", explicam.

Estes especialistas questionam a validade dos estudos que apontam um risco maior de trombose venosa nas mulheres que fazem uso de pílulas de terceira e quarta geração, apresentados pela França para lançar sua advertência sobre os anticoncepcionais orais combinados (COC, que representam a imensa maioria das pílulas).

"Atualmente faltam dados ou estes são controversos", explicaram estes especialistas, para os quais "são necessários estudos prospectivos, bem controlados e adicionais".

As prescrições de pílulas de terceira e quarta geração foram reguladas de forma mais estrita na França no começo do ano devido ao aumento do risco de trombose em comparação com as de primeira e segunda geração, após a demanda de uma mulher vítima de acidente vascular cerebral atribuído a uma pílula de terceira geração.