Especialistas criticam a Fundação Nacional da Ciência dos EUA por não coletar dados LGBTQIAP+ em pesquisa

Pesquisadores e cientistas criticaram a decisão da Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos EUA de não incluir uma pergunta sobre identidade de gênero e orientação sexual em uma de suas pesquisas de força de trabalho no campo científico no país. Mais de 1.700 especialistas assinaram uma carta aberta pedindo ao diretor da Fundação para reconsiderar a decisão, que contraria uma ordem executiva do presidente Joe Biden, de junho do ano passado, que instruía as agências federais a “promoverem a coleta responsável e eficaz” de dados de identidade de gênero e orientação sexual.

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Na carta, eles argumentam que é crucial coletar essas informações para entender a composição da comunidade científica e, com isso, elaborar políticas que diminuam as desigualdades das “minorias sexuais” e estimulem a diversidade.

No dia 14 de dezembro do ano passado, a NSF afirmou que incluiria uma pergunta sobre identidade de gênero em sua Pesquisa Nacional com graduados universitários, em 2023. Outra, sobre orientação sexual, ficou de fora, por "questões de privacidade e qualidade de dados", segundo a agência. A NSF testou as perguntas durante uma pesquisa piloto e concluiu que essa em específico levou mais entrevistados a desistirem da pesquisa em comparação com outras.

Para Jon Freeman, um neurocientista da Universidade Columbia, em Nova York, autor da carta aberta, a agência “justificou esse movimento com análises falhas e relatórios seletivos de seus próprios dados da pesquisa piloto”, conforme escreveu na carta. Freeman pede, na carta, que a agência libere os dados completos do estudo piloto.

— É desconcertante que eles deixem de lado a questão da orientação sexual, já que ela é perguntada com sucesso há 10 anos em pesquisas de outras agências federais —, disse à revista Nature Nancy Bates, metodologista de pesquisa no Departamento do Censo dos EUA por mais de 30 anos, com foco em "populações difíceis de pesquisar".

Nancy argumenta que essa decisão da NSF é "altamente importante" porque as pesquisas da agência são consideradas o "padrão ouro na coleta de dados" da força de trabalho científica.

Estudos de pesquisadores americanos, de 2021 e 2017, sugerem que as pessoas LGBTQIAP+ estão sub-representadas nas ciências e enfrentam mais barreiras e assédio no local de trabalho do que as pessoas que não o são.

— Se não temos os dados para entender possíveis diferenças ou desvantagens, o próprio silêncio dos dados reproduz a desigualdade —, afirmou à revista Nature Erin Cech, socióloga da Universidade de Michigan que estuda a representação LGBTQIAP+ na ciência e que também assinou a carta.