Especialistas cubanos negam síndrome de Havana por falta de evidências

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Prédio da embaixada dos EUA em Havana, onde diplomatas americanos dizem ter experimentado o que seriam os primeiros ataques da 'síndrome de Havana' (AFP/ADALBERTO ROQUE)

A misteriosa "síndrome de Havana", que teria afetado diplomatas norte-americanos em Cuba e em outros países, não é "cientificamente aceitável" - declarou um grupo de especialistas cubanos nesta segunda-feira (13), afirmando que, "depois de quatro anos", não há "qualquer evidência de atentados".

"Concluímos que a narrativa da 'síndrome misteriosa' não é cientificamente aceitável em nenhum de seus componentes e que sobreviveu apenas devido a um uso tendencioso da ciência", afirma um grupo de pesquisadores da Academia de Ciências de Cuba (ACC) em um relatório publicado no portal oficial de notícias Cubadebate.

No texto, os especialistas destacam que alguns artigos científicos aceitaram "como um axioma que houve atentados em Havana" e construíram suas teorias, com base nesta premissa.

"Depois de quatro anos (desde os relatos dos supostos primeiros casos em Havana), nenhuma evidência de atentados apareceu", especificam.

No artigo, eles ressaltam que "nem a Polícia Cubana, nem o FBI (a Polícia Federal americana), nem a Real Polícia Montada Canadense, descobriram provas de 'ataques' a diplomatas em Havana, apesar das intensas investigações".

Desde 2016 - primeiro em Cuba e, depois, supostamente na China, Alemanha, Austrália, Taiwan e Washington -, a misteriosa síndrome causou sérias dores de cabeça, náuseas e possível dano cerebral a mais de 20 diplomatas americanos, conforme relatórios da Casa Branca.

Diplomatas canadenses instalados em Havana também foram afetados.

O governo cubano investigou o assunto e, em diferentes ocasiões, rejeitou as versões de Washington, classificando-as como mera desinformação. Ainda segundo Havana, os Estados Unidos nunca apresentaram provas dos supostos "ataques".

As causas destes incidentes são desconhecidas, e algumas teorias sugerem que foram causados por uma arma que usa micro-ondas, ultrassom, ou mesmo por veneno.

Os especialistas do ACC observam que "nenhuma forma conhecida de energia pode causar danos cerebrais, seletivamente (com uma precisão espacial similar à de um feixe de laser), nas condições descritas para os supostos incidentes de Havana".

Garantem ainda que muitas doenças podem explicar a maioria dos sintomas relatados pelos diplomatas afetados.

"Portanto, não existe uma síndrome nova (algo evidente nos relatórios oficiais dos Estados Unidos)", pois "apenas uma minoria de pessoas apresenta uma disfunção cerebral detectável".

"A ACC está disposta a revisar suas conclusões, se novas evidências surgirem" e "convida (...) a que suas interpretações sejam refutadas em um clima de colaboração científica aberta. Rejeita firmemente, no entanto, como 'verdade estabelecida' uma narrativa construída sobre bases frágeis e uma prática científica deficiente", acrescenta o texto.

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