Especialistas da ONU denunciam ausência de responsabilidade de Espanha e Marrocos na morte de migrantes

Especialistas da ONU denunciaram nesta segunda-feira (31) que nem a Espanha, nem o Marrocos assumiram responsabilidades após a morte, em junho, de dezenas de migrantes africanos que tentavam entrar no enclave espanhol de Melilla, em território marroquino.

"É alarmante que ainda não haja nenhuma responsabilidade concreta, meses depois de dezenas de migrantes de origem africana, incluindo refugiados e solicitantes de asilo, terem morrido em confrontos violentos com as forças de segurança de Melilla, Espanha", criticaram os especialistas, condenando que nenhuma autoridade tenha prestado contas pela "desumanização bruta dos migrantes africanos no perímetro da Europa".

"Pedimos uma investigação profunda, indenizações para as vítimas e suas famílias e garantias de que isso não irá se repetir, em virtude da lei internacional dos direitos humanos", acrescentaram os especialistas.

Em 24 de junho, cerca de 2.000 migrantes, a maioria do Sudão, país africano muito pobre e minado por conflitos, tentaram entrar à força na Espanha através de Melilla. Essa tentativa de entrada em massa, precedida por confrontos entre imigrantes e forças marroquinas nos acampamentos instalados nos arredores de Nador, deixou 23 mortos, segundo autoridades marroquinas, e 27, de acordo com a Associação Marroquina de Direitos Humanos.

A tragédia, a pior registrada entre as inúmeras tentativas de entrada nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla, únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, gerou críticas intensas das associações de defesa dos direitos humanos, bem como da ONU e da União Africana.

Nesta segunda-feira, a relatora especial das Nações Unidas sobre as formas contemporâneas de racismo, Emily Tendayi Achiume, e o Grupo de Trabalho de Especialistas sobre os Afrodescendentes estabeleceram um balanço de 37 mortos.

"A violência às portas de Melilla, documentada em vídeos, revela de forma trágica o status quo das fronteiras da União Europeia, a exclusão segundo uma questão racial e a violência letal usada para repelir as pessoas oriundas da África e do Oriente Médio e as outras populações não brancas", destacaram os especialistas.

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