Especialistas da ONU relatam crimes contra humanidade na Etiópia

Um relatório de um grupo de especialistas da ONU estimou nesta segunda-feira (19) que crimes de guerra e crimes contra a humanidade foram, provavelmente, cometidos no conflito em curso desde o final de 2020 na região etíope de Tigré.

"A Comissão tem motivos razoáveis para pensar que, em vários casos, as violações (contra os direitos fundamentais) correspondem a crimes de guerra e crimes contra a humanidade", destacam esses especialistas no documento para o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Da mesma forma, o grupo constatou "uma profunda polarização e ódio entre grupos étnicos" no país, conclui o relatório.

"Isso cria um ciclo preocupante de violência extrema seguida de retaliação que aumenta ainda mais o risco iminente de novas atrocidades ainda mais graves", alertam os especialistas.

Nesse sentido, pedem aos órgãos internacionais e regionais que "tomem medidas para restaurar a paz, a estabilidade e a segurança e evitar novas violações" dos direitos humanos.

No documento, os especialistas pedem que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos monitore continuamente a situação e lembre as partes da necessidade de respeitar o direito internacional humanitário, os direitos humanos e os direitos dos refugiados.

A Comissão foi estabelecida por um ano para conduzir uma investigação aprofundada e independente sobre as alegações de repetidas violações de direitos humanos na região.

O conflito eclodiu no início de novembro de 2020, quando o governo federal do primeiro-ministro Abiy Ahmed lançou uma ofensiva contra os rebeldes da Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) que controlam essa região do norte da Etiópia.

A retomada dos combates em 24 de agosto rompeu uma trégua de cinco meses.

As autoridades de Tigré "sempre disseram" que o governo federal era responsável por crimes contra a humanidade, comentou um porta-voz da TPLF, em conversa com a AFP.

O governo federal não reagiu de imediato ao conteúdo do relatório.

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