Especialistas defendem que leilões de petróleo não sejam suspensos neste ano

Ramona ordoñez

RIO - Para especialistas a produção de petróleo neste ano deverá continuar crescendo, não só com o aumento de produção dos vários sistemas instalados nos últimos dois anos pela Petrobras, como com o aumento da produção de outras empresas que compraram campos de menor porte da estatal.

No entanto, os especialistas estão preocupados com a possibilidade de o governo adiar os leilões de áreas do pré-sal para o próximo ano. Segundo ele, apesar de ser positiva a possibilidade de mudança nas regras do regime de Partilha para atrair investidores, elas deveriam ser feitas com a máxima urgência ainda neste primeiro semestre, para que os leilões no pré-sal pudessem ser realizados no fim deste ano.

Para Leonardo Miranda, sócio na área de petróleo e gás de TozziniFreire Advogados, o governo deveria fazer a mudança de retirar da Petrobras o direito de preferência nos leilões do pré-sal o mais rápido possível, para conseguir realizar os leilões ainda neste ano, considerando o ritmo forte do setor nos últimos anos, após a retomada dos leilões em 216, e os preços significativos do petróleo no mercado internacional.

- O governo deveria resolver rápido essa questão do direito de preferência da Petrobras, é fácil, melhor do que mexer no regime de Partilha. Não tem que diminuir o ritmo, tem que colocar o pé no acelerador. A indústria está muito dinâmica - ressaltou Leonardo.Para Paulo Valois, sócio do escritório Schmidt Valois, a produção neste ano vai continuar crescente não só por conta do pré-sal, mas também por conta das empresas que compraram campos de menor porte (maduros) da Petrobras. Segundo ele, será positivo se o governo está pensando em mudar o regime de Partilha para tornar mais atraentes os leilões, acabando com o direito de preferência da Petrobras. Mas essa questão deveria ser resolvida o mais rápido possível para se conseguir realizar os leilões do pré-sal ainda neste ano.

-Acho a medida correta , mudando o regime para relançar os leilões. Mas esse projeto de mudança do regime de Partilha deve ser considerado de interesse total do governo, que deveria acelerar o processo para ser aprovado já neste primeiro semestre, para poder realizar os leilões no fim deste ano já - ressaltou Paulo Valois.

Produção recorde

A produção de petróleo nos campos do pré-sal no ano passado bateu todos os recordes, totalizando 633,98 milhões de barris, aumento de 21,56% em comparação aos 521,54 milhões extraídos em 2018. Já a produção de gás natural no pré-sal ano passado totalizou 25,9 bilhões de metros cúbicos, um aumento de 23,27% em relação aos 21,01 bilhões de metros cúbicos.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção no pré-sal representou ano passado cerca de 62% da produção total de petróleo no país, que totalizou 1,018 bilhão de barris. A produção cresceu 7,78% em relação aos 944,1 milhões de barris extraídos em 2018.

Já a produção total de gás natural no país atingiu 44,72 bilhões de metros cúbicos, 9,46% superior aos 40,85 bilhões de metros cúbicos de 2018.

No mês de dezembro, a produção do país continuou batendo recordes, com destaque para os campos no pré-sal. No mês, foram produzidos 3,97 milhões de barris por dia, incluindo petróleo e gás natural. A produção só de petróleo atingiu em dezembro 3,10 milhões de barris por dia, crescimento de 15,4% em comparação mesmo mês do ano anterior.

A produção de petróleo no pré-sal continua também batendo recordes a cada mês. No último mês do ano, foram produzidos 2,65 milhões de barris por dia de petróleo e gás, representando 66,82% do total . A produção no pré-sal no período representou um crescimento de 40,2% em comparação mesmo mês do ano passado.