Especialistas discordam sobre unificar vacinação no Rio

Luiz Ernesto Magalhães
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RIO — O governador em exercício, Cláudio Castro, deve decidir hoje se unifica os calendários de vacinação nos 92 municípios fluminenses para tentar acabar com a peregrinação entre cidades que estão com o processo mais adiantado. A eficácia da medida é vista com reservas por especialistas. Para eles, o problema não é o calendário em si, mas a oferta escassa de doses que atrasa o processo de imunização.

Em Caixas, onde o prefeito Washington Reis manteve todas as atividades abertas até 4 de abril, a prefeitura anunciou que pretende vacinar hoje toda a população a partir de 65 anos. Nas últimas semanas, Caxias tem registrado longas filas de idosos que tentam se vacinar e não conseguem.

Na capital, que desde a semana passada passou a vacinar os moradores em faixas de horário por gênero (mulheres pela manhã e homens à tarde), hoje é a vez de quem tem 71 anos. A faixa etária de Niterói a ser imunizada hoje também é idêntica à da capital. Mas, em São João de Meriti, é possível receber vacinas a partir de 70 anos (público em geral) e 55 anos (profissionais de Saúde).

— A questão principal não é a faixa etária, mas o fato de as vacinas serem insuficientes. Tem uma série de fatores a serem levados em conta. Um deles é que os municípios têm perfis diferentes em relação à faixa etária — diz a sanitarista da UFRJ Lígia Bahia.

A especialista avalia que a limitação de idade pode até colaborar com o desperdício de doses. Isso porque parte das vacinas vem em embalagens de dez doses. Hoje, no caso de risco de sobras, a orientação é vacinar idosos que precisam de atendimento em domicílio ou que eventualmente estejam no posto de vacinação, independentemente da idade, no que já ficou conhecido como a ‘‘xepa da vacina” .

Ex- integrante do Comitê Científico da prefeitura, o médico Celso Ramos avalia que seria possível unificar os calendários. Mas ele ressalta que essa questão não é o problema principal:

— Em pouco tempo é possível fazer ajustes e criar um calendário único. Mas a questão principal que o poder público tem que focar é a lentidão com que a população tem sido imunizada por falta de doses — disse.

O secretário municipal de Saúde da capital, Daniel Soranz , diz que a ideia é viável apenas “se todas as cidades concordarem”.