Especialistas dizem que assassinato de contraventor precisa de resposta rápida

André Coelho e Pedro Zuazo
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Marcos Nunes
Marcos Nunes

RIO — A execução do contraventor Fernando Iggnácio em plena luz do dia e à beira de uma das vias mais movimentadas da cidade acende o sinal de alerta na segurança pública. Para especialistas ouvidos pelo GLOBO, é preciso uma resposta rápida da polícia na elucidação do crime de forma a não reforçar sensação de insegurança da população e de impunidade.

O ataque, segundo o antropólogo Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado Maior da PM, não pode ser atribuído a uma falha no policiamento. Para ele, as características do Recreio, que apresenta baixa ocorrência de crimes, pode até ter pesado na escolha do local para a execução:

— O policiamento preventivo é mais intenso em áreas onde ocorrem mais crimes. Talvez não haja a indicação de um policiamento preventivo mais intenso ali, e isso pode ter pesado na decisão do autor dos disparos, para que houvesse variáveis a seu favor. Por isso, não se pode considerar uma falha no policiamento. Por outro lado, é preciso acompanhar de perto a investigação, que pode encontrar padrões similares com outros crimes e chegar às fragilidades que permitiram a ação.

Antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Storani pondera que as circunstâncias do crime poderão ser um facilitador para a investigação.

— Numa situação como essa, em que se conhece a vítima e as atividades nas quais ela estava envolvida, a possibilidade de êxito da investigação é muito maior do que em um homicídio no qual ninguém tenha ideia da motivação. Mas é sempre preciso considerar que, assim como o executor tomou cuidados para deixar o local do crime sem ser visto, o mandante também pode ter tomado providências para não ser achado — afirma.

O sociólogo João Trajano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, enfatiza a importância da investigação ao afirmar que o episódio seguiu o padrão das disputas entre contraventores.

— É sempre de dia e em vias públicas. Um trabalho encomendado a profissionais que eventualmente erram, mas, na maior parte das vezes, as vítimas morrem. É um padrão que atravessa a história recente do Rio — alerta.