Especialistas dizem que regras de quarentena paralisam Itália e pedem mudanças

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Homem usando máscara de proteção aguarda bonde em Roma

ROMA (Reuters) - Especialistas em saúde aconselharam o governo da Itália nesta segunda-feira a amenizar suas regras de quarentena de Covid-19, dizendo que o país corre o risco de paralisar enquanto a variante Ômicron altamente infecciosa se dissemina.

Pelas regras atuais, as pessoas que entraram em contato próximo com um portador de Covid-19 têm que se isolar durante sete dias se estiverem vacinadas e 10 dias em caso contrário.

Nino Cartabellotta, chefe da fundação de saúde Gimbe, disse que cada caso positivo tem, em média, de cinco a 10 contatos próximos e previu que, dentro de duas semanas, cerca de um milhão de pessoas do país podem ter contraído Covid-19.

"Isto significaria que poderia haver de cinco a 10 milhões de contatos próximos a serem postos em quarentena, e isto não é possível", disse Cartabellotta à Rádio Cusano Campus.

Fabrizio Pregliasco, um virologista, ecoou tal comentário: "Está claro que, a esta altura e com esta difusão da Ômicron, precisamos cogitar mudanças na maneira como intervimos, senão estaremos a caminho de um lockdown generalizado".

A Itália registrou uma disparada de infecções no final da semana passada, testemunhando três dias sucessivos de recordes de casos diários novos, que chegaram a 54.762 no sábado.

Na quinta-feira, o governo endureceu as restrições para conter as infecções em alta, o que incluiu proibir todas as comemorações públicas de Ano Novo e fechar danceterias e clubes noturnos até 31 de janeiro na tentativa de evitar a socialização em massa.

O comissário de combate à Covid-19 do governo, Francesco Paolo Figliuolo, disse aos repórteres que autoridades de saúde estão cogitando reformular as regras de quarentena.

Alguns políticos dizem que as pessoas que estiverem totalmente vacinadas não deveriam ter que ficar em quarentena se não exibem sintomas. Também há exigências para que qualquer restrição futura só vise aqueles que se recusam a ser inoculados.

"Se há quaisquer restrições a serem impostas, deveria ser aos anti-vacinas", disse o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi.

Cifras do governo mostram que quase 80% de todos os italianos já completaram o ciclo inicial de vacinação, enquanto 29% já receberam uma terceira dose, vista como a melhor proteção contra a Ômicron.

(Por Crispian Balmer)

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